quarta-feira

Do jornalismo (II)

À boleia do desafio da Luísa para discutirmos questões relacionadas com o jornalismo, lanço uma que me está a inquietar: a nossa relação com os blogs.
QUESTÕES: Podem os jornalistas escrever sobre tudo num blog pessoal ? Devem impôr limites aos seus posts ? Podem opinar sobre assuntos de que fazem notícia no seu dia-a-dia ?
EU: O jornalismo de causas nunca me atraiu mas, reconheço, já fui mais radical do que sou hoje. Se nas conversas de corredor posso dizer o que penso sobre determinada matéria, por que não num blog que é um espaço de liberdade pessoal? Só aqui vem quem quer. Só fixa o registo aqui exposto quem quer. Ao contrário de José Rodrigues dos Santos, eu voto e não vejo nisso um sinal de falta de independência jornalística. A sociologia dos media já nos mostrou que a imparcialidade é um mito. O rigor será a pedra de toque.
Já aqui defendi o princípio do encerramento das maternidades que não dão garantias de segurança. Posso fazer uma conferência de imprensa do ministro da saúde ou da oposição sobre este tema ? Acho que sim. Se não o tivesse escrito aqui, continuaria a pensar o mesmo. E a discuti-lo com os de sempre, no corredor, na redacção. Assim, posso fazê-lo com a Luísa, a Dina, a Marisa, a Ana e a Madalena (às vezes!)...a Marta, a papoila, o rps, os anónimos...Está aberta a discussão...

6 comentários:

escola de lavores disse...

para mim, o jornalismo é, ele próprio, uma 'causa' - complexo na análise, crítico face ao que reporta, rigoroso.
o carácter do/a jornalista deveria exigir esse rigor e a sua consciência marcar a fronteira em relação à qual estamos confortáveis na nossa função/ofício, ou não.
a Lei de Imprensa prevê publicações periódicas doutrinárias e não doutrinárias e os jornais partidários são feitos por profissionais 'tão' jornalistas como tu e eu... porque haveríamos de censurarmo-nos?
no blog não fazemos jornalismo, mas reflectimos também sobre...
a jornalista, que cada uma é, não fica do lado de fora da escola.

quem aqui espreita desde o início, sabe que este é um espaço livre, de opiniões diversas, por vezes contraditórias, e é isso que lhe dá sentido. assim será enquanto nós continuarmos a ter prazer nesta partilha.

Eva Shanti disse...

Ora aí está uma coisa que eu gosto: um espaço de liberdade, discussão e partilha.

É isso o que me atrai nos blogs.

Parece-me que temos de ser coerentes connosco próprios e, se assim for, seremos coerentes como pessoas e como profissionais.

Os limites terão sempre de existir mas prendem-se com a vida em sociedade, ou seja, não ferir sentimentos, não difamar, saber qual a medida da liberdade de expressão para que não colida com outras liberdades e com a liberdade dos outros.

Assim sendo, está tudo bem... Penso eu de que...

bjs

dina disse...

Com os espaços de liberdade cada vez mais reduzidos, os blogues são, de facto, um espaço onde se pode respirar. É aqui que podemos dizer o que pensamos e devemos continuar a fazê-lo, contra ventos e marés, como dizia o outro.

Ana disse...

Ter a Escola foi uma das melhores coisas que me aconteceu recentemente...
Tudo aquilo que escrevo é reflexo da pessoa que sou. Concordo com a luísa quando ela diz que não deixamos a jornalista lá fora...
O blog é um espaço óptimo para escreveres o que queres, o que pensas, o que te apetece partilhar... mesmo que sejam curiosidades.
E eu que não estava nada habituada a estas coisas passei a encará-lo já como uma necessidade... e quando não consigo aqui vir todos os dias sinto saudades. E as saudades são uma coisa boa!

Marisa disse...

Como em todas as profissões, há boas e más pessoas, bons e maus profissionais.

Todos os profissionais, de todas as "categorias" têm direito a uma coisa que vêm na constituição e que se chama liberdade de expressão.

Eu terei sempre as minhas opiniões e comentarei sempre que me apetecer e onde me apetecer. Porque sou livre como qualquer um vós, mesmo que algums pessoas preferissem que nem todos o fossemos.

Haja bom senso, o que é bem diferente de auto-censura.

Nuno Saraiva disse...

Nós, os jornalistas, caimos muitas vezes na tentação de achar que, pelo facto de termos este oficio, ficamos limitados nos nossos direitos. Recuso-me a aceitar este principio hipócrita defendido por alguns aspirantes a paladinos da moral e da ética jornalistica, género José Rodrigues dos Santos. Antes de ser jornalista, eu sou cidadão. E sou cidadão no gozo pleno de todos os meus direitos constitucionais. Desde quando é que um jornalista, pelo facto de o ser, é acritico ou é acéfalo? Agora, naturalmente que, em nome da honestidade intelectual, um jornalista quando está a trabalhar uma determinada matéria deve abster-se de produzir opinião, no âmbito desse trabalho, e só aí. Fora dessa esfera as opiniões são livres e desejáveis. Todas elas.