sábado

Já cheira a cravo


Todos os anos lá para meados de Abril começo a traçar o balanço anual da liberdade (o ano da liberdade vai de Abril a Abril; o ano da minha idade vai de Julho a Julho; o ano fiscal vai de Fevereiro a Fevereiro, etc. etc.). Também faço balanços intersticiais. Este ano foi o que mais reflecti sobre esta questão da liberdade (alguns de vocês saberão porquê - é lixado ser jornalista!). Mas continuo sempre com a mesma dúvida: Serei mesmo livre?? Tudo poderia apontar para "não", mas a verdade é que me sinto mais livre que uma gaivota. E não é que me auto-censure naturalmente sem sequer me questionar.

Acho que me sinto livre porque sou sempre fiel a mim própria, sem medo de retaliações.

Talvez a liberdade seja isso: agir sem medo. Apesar das retaliações serem uma realidade.

7 comentários:

Mais Notas Soltas disse...

Ser livre sempre teve consequências. No meu livro da 4ª classe, fascista e salazarista, havia uma história de um lobo e de um cão. No pino do Inverno, o magro lobo cruza-se com o cão anafado e pergunta-lhe como consegue. Explica o cão que o dono o alimenta. O lobo decide segui-lo, quando repara numas marcas no pescoço. "O que é isso"? - pergunta. "São as marcas da coleira que o meu dono me coloca" - responde o cão. E o lobo mudou de caminho e escolheu a fome...

escola de lavores disse...

Espero que o (teu) cravo se torne rubro até ao Dia da Liberdade (oficial)...

cardeal patriarca disse...

Também espero que o teu cravo se torne vermelho, bem... o mais depressa possível !

cardeal patriarca disse...

Não há razão, caro Lucílio, para só buscares amigos no foro ou no senado: se olhares com atenção encontrá-los-ás em tua casa. Muitas vezes um bom material permanece inutilizado por falta de quem o trabalhe. Tenta, pois, e vê o resultado. Tal como é estupidez comprar um cavalo inspeccionando, não o animal, mas sim a sela e o freio, assim é o cúmulo da estupidez julgar um homem pela roupa ou pela condição social, que, de resto, é tão exterior a nós como a roupa. «É um escravo». Mas pode ter alma de homem livre. «É um escravo». Mas em que é que isso o diminui? Aponta-me alguém que o não seja: este é escravo da sensualidade, aquele da avareza, aquele outro da ambição, todos são escravos da esperança, todos o são do medo.

Posso mostrar-te um antigo cônsul sujeito ao mando de uma velhota, um ricalhaço submetido a uma criadita, posso apontar-te jovens filhos de nobilíssimas famílias que se fazem escravos de bailarinos: nenhuma servidão é mais degradante do que a voluntariamente assumida. Aí tens a razão por que não deves deixar que os nossos tolos te impeçam de seres agradável para com os teus escravos, em vez de os tratares com altiva superioridade. É preferível inspirar respeito do que medo. (...) Quem é respeitado é também amado, ao passo que o amor nunca pode ir de par com o medo.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

Anónimo disse...

Quanta erudição nos comentários deste Senhor Cardeal Patriarca!!!
O gajo é um grande seca!Meninas, arranjem-lhe um blogue para ele não ter que comentar tanto!

Anónimo disse...

Esse cardeal patriarca é uma seca das grandes.

Nos blogues aqui de Coimbra, também ninguém o atura.

Mas também ninguém tem paciência para anónimos que não dizem nada !

Anónimo disse...

Very cool design! Useful information. Go on! » » »