sábado

Filhos no jornalismo

Filhos no jornalismo. No coração estão sempre em primeiro lugar. No dia-a-dia sujeitam-se aos horários dos pais... ao ponto de não os verem praticamente... de tomarem banho, de jantarem e de adormecerem tarde apenas na esperança de lhes darem um beijo, de ouvirem um "boa noite filho, dorme bem". Hoje tenho o coração feito em cacos... num almoço rodeado de mulheres jornalistas, entre algumas mães, falámos sobre o "sair tarde". É um tema sempre polémico. Não tenho o direito de me achar melhor mãe do que outra mãe que vê menos o filho do que eu, mas não deixo de ficar triste. É outra vez aquela questão: "até que ponto vale a pena todos estes sacríficios a bem da carreira?". Por mais que se goste de jornalismo, é normal que todos nós tenhamos uma vida pessoal, uma vida que começa depois de sairmos do jornal, da rádio, da tv... é normal que tenhamos o desejo de ter uma vida normal, em família ou não? Vem-me à memória uma frase muito na moda e usada por milhares de mulheres: "Tempo não é sinónimo de qualidade"... eu não penso assim nem sequer consigo conceber a qualidade sem haver tempo para... 15 a 30 minutos por dia para um filho não chega e para uma mãe também não. Talvez para eles tudo seja mais fácil. Talvez seja a medida certa e mais que necessária para se convencerem que são felizes assim.
Sinto-me quase sozinha a remar contra a maré. Quase a ter vontade de abandonar tudo porque há coisas tão mais importantes do que as banalidades que são discutidas numa reunião de jornal... por mais que seja esse jornal que nos pague o salário. Olho à volta e fico a pensar em todos aqueles colegas (que são muitos) que só vivem em função do meio onde trabalham.
Como é que conseguem?. Ainda nâo encontrei resposta. Quando têm tempo para ir ao supermercado? Para falar com amigos? Para estar com a família? Mesmo ganhando rios de dinheiro, vale a pena? E quando não se ganha rios e ainda assim se insiste no mostrar trabalho para mais tarde ser recompensado? Anos e anos assim, a teimar com a profissão. Há coisas que o dinheiro não compra, mas pais ausentes deixam para sempre a sua marca.

7 comentários:

escola de lavores disse...

os filhos sao um investimento a prazo. ... a prazo, uma mae satisfeita com o trabalho que faz, 'e uma mae melhor para os filhos. nao te auto-penalizes tanto ( embora concorde com a generalidade das apreciacoes que fazes, como sabes)

Núncio disse...

Só fica a dúvida:
valerá a pena tanto esforço ("sair tarde") se o jornalismo (não o seu, note-se) está cada vez pior, mais populista, menos independente, mais "amestrado"...
Keep on!

Ana disse...

Núncio,
É verdade que é perante tanto jornalismo "amestrado" as coisas perdem o sentido... é nesses casos (e em antos outros) que penso que não vale a pena... Contudo, ainda se faz bom jornalismo português e é isso, juntando-se ao facto de adorar a profissão, que me dá alguma fé! Obrigada pelo seu comment!

Querida Luísa... eu sei, eu sei... mas às vezes é muito difícil.

dina disse...

Eu hoje acho que todas essas lacunas acabam or ser mais penalizadoras para nós do que para eles. Eles acham normal que os pais estajm a trabalhar a maior parte do tempo. Os pais os amigos fazem o mesmo. Já achei essa situação mais dramático do que acho hoje.

cardeal patriarca disse...

"Filhos no Jornalismo" ?

E filhos de polícias, bombeiros, médicos, enfermeiros, bancários ... etc, etc, que a revolução liberal em curso deixou sem horas ou horário de trabalho, mas com muito e cada vez mais trabalho ! Sempre. Fins de semana incluídos.

Mas esses são os bons, os que mantêm isto a girar porque obcessivos pelo trabalho e com o trabalho. Nunca obrigados, mas em paz com a consciência.

Queixosos mas incapazes de deixarem de cumprir, mais e melhor. Um estudo recente mostra que são os que estão mais receptivos a trabalhar por objectivos. E que para eles tem tanta importância o dinheiro como o reconhecimento.

São carneiros amarrados para emulação ao capitalismo selvagem !

Agora ainda vão ao blog de vez em quando, para distender - antigamente faziam-se tendinites ao computador !

Eles (filhos) compreendem ?

Mais que compreendem. Quando forem grandes, se passarem as crises da adolescência vão ser iguais. Orgulham-se dos pais que têm, mesmo sabendo que ao acordar de noite o/a pai/mãe pode não esar em casa porque foi chamado ao Hospital/Jornal/Quartel/Já saiu.

Eixe para diante ... Daqui a cem anos nem botas nem canos ! Cumpra-se o dever hoje.

lady disse...

Penso nisto todos os dias. Agora é fácil: posso levá-lo tarde. Temos manhãs deliciosas.
Mas quando penso na primária... Prometo que antes disso deixo o jornalismo diário.
Logo se vê [se sou capaz].

Não duvido que eles que compreendem e têm orgulho, mas eu também preciso de tempo para ser mãe...

Ana disse...

Lady,
Faço das tuas palavras as minhas: eu também preciso de tempo para ser mãe