quinta-feira

Maternidades:... em que ficamos?

No Diário de Notícias de hoje, aconselhável ler o dossiê a propósito...

"As onze maternidades que o Governo vai fechar por falta de segurança não são aquelas que apresentam os piores resultados na qualidade dos cuidados prestados às grávidas e aos recém-nascidos - nomeadamente nos índices de mortalidade, complicações ou reinternamentos. "

6 comentários:

susana disse...

Os casos mais complicados são logo transferidos dos pequenos hospitais para os hospitais maiores, logo, é natural que estes tenham um maior índice de mortalidade...mas acho que não ficava mal ao ministro explicar melhor as razões da escolha de umas em detrimento de outras

cardeal patriarca disse...

Exacto Susana.

Mas não é no momento do parto que é feita a transferência.

É antes,logo no seguimento da gravidez de risco, ou numa gravidez de feto ou mãe com problemas.

O diagnóstico é já precoce e sabe-se com que se conta.

Mas porque é que não se explicam as coisas bem ?

Provavelmente porque o pormenor vai levar à pergunta - Se sabe disso,porque é que só agora está preocupado ?

escola de lavores disse...

Suponho que o nosso leitor esteja a sugerir que o governo precisa de melhor comunicação (onde é que já ouvi isto?!)
Como qualquer pessoa que usa o serviço nacional de saúde,sei que com a supressão destas ou outras maternidades, e a centralização dessa valência, o seguimento da gravidez de risco, ou de uma mãe com problemas, ficará em muitos casos muito mais longe, difícil e penosa. Aliás, as mulheres que são seguidas pelo SNS não precisam de ir ao hospital só no momento de terem o filho... E o diagnóstico precoce pode ser um grande conforto para os clínicos, eventualmente para o nosso Cardeal, mas presumindo que não é mãe, acredite que não faz ideia do que é viver isso.
Independentemente dos critérios, da investigação, dos benefícios globais de assistência, das poupanças, da prova de autoridade, etc,. cortem no que quiserem:
no alcatrão, na adjudicação das obras públicas anunciadas, nos assessores de imprensa, na gasolina e no gasóleo dos carros ministeriais e nas frotas do Estado, nos consultores, nos incentivos fiscais e outros às multinacionais que vêm cá fazer negócio, nos grupos de trabalho ad hoc para produzirem relatórios que ora se arquivam ora se esgrimem, nas nomeações de chefes de gabinete de ministros como presidentes de institutos públicos, poupem até nas horas extra dos médicos (contratem médicos estrangeiros, preparem-nos, ponham-nos a fazer o trabalho regular)...
mas não cortem na saúde, a saúde não tem preço!
Como é que o Estado gasta tanto e tão mal gasta, enquanto as clínicas privadas e os hospitais privados nascem como cogumelos, alimentados não apenas pelos seguros de saúde mas principalmente pela prestação de serviços em outsourcing ao SNS? E quando há uma complicação numa instituição de saúde privada, a primeira regra é encaminhar o doente para o hospital público?

cardeal patriarca disse...

A Luísa não leu os meus comentários anteriores.

Ninguém nasce ensinado a fazer partos. Necessita de uma curva de aprendizagem.

Nenhuma maternidade está bem com menos de 1500 partos por ano, porque mesmo ensinado esquece se não fizer.

Talvez pela primeira vez não é uma questão de dnheiro.

Veja o meu comentário anterior e venha ao ponteeuropa onde técnicos da área da saúde se esfarraparam sobre o assunto.

escola de lavores disse...

olhe que li, sei o que digo e ninguém é obrigado a concordar comigo - como é óbvio. mantenho o que penso sobre o assunto saúde e o SNS. (acho sempre curioso os números 'redondos' que avalizam teses: 1500? porque não 1499? )

Ana disse...

Luísa, gostei muito do que escreveste. Concordo plenamente... acho esta acção uma vergonha.
Com tanto onde podem cortar não têm o direito de fazé-lo na Saúde.
Esta semana ouvi o Professor Luís Graça (obstetra e presidente da presidente do colégio de ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos). Dizia ele que o tempo que se demora entre Odivelas e o Hospital de Santa Maria - em algumas alturas - poderá ser igual ou superior ao tempo que uma mulher pode demorar a chegar em casos em que tenha de percorrer mais km até à maternidade.
Disse também que os bebés não nascem assim... que há tempo para chegar ao hospital...
Por mais que o respeite e goste até de muitas das suas opiniões não consigo pensar neste caso com tanta naturalidade.
E aquelas mulheres que não chegam a tempo? E os bebés que poderão não nascer?E isto para não falar de todo o apoio que a muçher precisa durante a gravidez... de todos os exames que tem de fazer e para os quais poderá ter de fazer 100 km. Acho indecente.
Trazida lá de fora ou não esta só pode ser uma solução nascida da mente de um homem.