quarta-feira

Não esquecer

Faz 500 anos que, em Lisboa, - noticia-se - entre dois mil a quatro mil pessoas foram mortas num massacre 'oficial'. Eram judeus convertidos a 'cristãos-novos.
Pessoalmente desconhecia este caso, que aconteceu no estertor de um dos períodos mais negros da história da Humanidade.
Em abono da verdade, diga-se que os judeus têm sido perseguidos e chacinados em diferentes épocas e sob diferentes pretextos. Em abono da justiça, diga-se, não haverá hoje, no mundo, ninguém 'puro' na sua origem étnica ou cultural, em resultado, precisamente, da Expansão marítima e da Globalização. Em abono da civilização, é preciso ter memória e colocá-la em contexto.
Homenagear as vítimas desse massacre não pode ser um tardio acto de contrição, mas pretexto para pensar o presente.
Que sentido há em lutar por motivos religiosos, étnicos, ou culturais?...

7 comentários:

Anónimo disse...

Os judeus são um povo com um passado de perseguições que não encontra paralelo em nenhum outro. O que se passa hoje em Israel deve inserir-se numa luta desesperada e comprensiva para defender o bocado que, finalmente, lhe foi entregue como pátria a que todos os povos têm direito, única maneira de deixarem de ser os párias massacrados selvaticamente ao longo dos séculos. É neste contexto que se deve entender a luta desesperada que estão a manter com o governo palestiniano e com outros que não reconhecem a sua existência.

luisa disse...

Se olharmos a História, creio que não encontramos inocentes. Por isso, só podemos mesmo condicionar o futuro, com as atitudes e acções que tivermos no presente.

cardeal patriarca disse...

Tenho dúvidas se os Judeus, nas várias perseguições e massacres de que foram vitimas, alguma vez o foram por motivos outros que não políticos.

Hábeis comerciantes, com espirito de interajuda, rapidamente envolviam também as profissões liberais de maior poder político e económico, o que em última análise lhes dava um poder tal, que o poder político central não podia suportar.

Há muito tempo se sabe que poder económico sem suporte de força, não funciona e surgia novo surto persecutório, grande parte das vezes à custa de graves problemas no desenvolvimento social e económico.

Quem sempre matou e vai matar é o poder político, que com os mais diversos disfarces e falsas explicações faz o seu caminho.

Aí surgia mais um

cardeal patriarca disse...

«Faz hoje 500 anos que uma multidão imbecil tornou Portugal mais pobre. A matança de muitas centenas de judeus em Lisboa (talvez quatro mil) fez o País perder, entre mortos e exilados, os mais cultos e modernos dos seus filhos. O crime boçal prosseguiu durante séculos. Até ao Marquês de Pombal a ‘limpeza do sangue’ – a prova de ausência de judeus até aos bisavós – era condição para bons empregos. Ao seu ministro Pombal, o rei D. José pediu que decretasse um distintivo obrigatório para quem tivesse sangue judeu. No dia seguinte, ele apareceu com três distintivos ao peito. O rei perguntou a razão. Pombal: “Um por mim, outro pelo inquisidor-mor e outro por Vossa Majestade.” Judeus somos, os portugueses, todos um pouco. Ignorantes de nós somos todos muito.»
Ferreira Fernandes, hoje no Correio da Manhã.

madalena disse...

O que Portugal perdeu. É preciso não esquecer que os três grandes pensadores que mais marcaram o pensamento contemporâneo são todos judeus: Einstein, Marx e Freud.

rps disse...

O povo judeu é dos mais perseguidos da História. Talvez até o mais perseguido, não sei ao certo. Agora o que sei é que nunca um povo como o judeu soube rentabilizar tanto a tragédia dos antepassados.

Anónimo disse...

Excellent, love it! »