quarta-feira

Perguntas e respostas

Às vezes, por mais perguntas que os jornalistas façam, o discurso redondo continua redondo. Às vezes, um "pode fazer a pergunta da maneira que quiser que eu não vou dizer mais nada" continua a arredondar o discurso já redondo. Quando um político marca uma visita a uma escola no dia em que terminam as negociações sobre o estatuto da carreira docente é porque tem uma mensagem a passar. Ou porque simplesmente sabe que passa. E por mais insistentes (ou chatos, dirão alguns) que os jornalistas forem, ele não sai da sua mensagem (estou a falar de reportagens diárias, não de entrevistas). Vem isto a propósito disto.
Marques Mendes queria apelar à descrispação. E os jornalistas queriam saber como se descrispava. As respostas repetiam a mesma construção. Não, ninguém questionou o líder do PSD sobre a criação da figura do professor titular, das quotas, da bomba-relógio. Mas perguntaram sobre a forma de acabar com o clima de hostilidade, sobre a postura dos sindicatos, sobre o pacto da educação. E mais não valia a pena. Marques Mendes tinha um recado para o governo e ia ficar por ali. De resto, o último parágrafo da Lusa é claro:"Temos de prestigiar os professores, reforçar a sua autoridade, motivá-los", acrescentou o líder social-democrata, sem adiantar qualquer medida concreta para alcançar estes objectivos."

P.S Não fui eu que escrevi a notícia da Lusa mas estava lá. Só posto isto porque julgo que neste caso os jornalistas não foram meros figurantes o que, de facto, vai acontecendo na cena política.

1 comentário:

Vera disse...

Olá Susana!
Sim... sou eu a autora da notícia da Lusa... e podes "postar" à vontade a minha notícia... :-)
Já agora confirmo as tuas palavras: por mais perguntas que se fizessem, o discurso de marques mendes não passava do mesmo... era aquilo que ele queria dizer e só aquilo... e não foi por falta de insistência dos jornalistas que não adiantou nem uma vírgula ao discurso que tinha estudado...