sexta-feira

Um post nada isento

A Assembleia da República aprovou ontem um voto de pesar pela morte de Manuela Rebelo. No minutos de silêncio, os jornalistas levantaram-se associando-se à homenagem. Na bancada de imprensa, o gesto foi natural e automático. Aquele lugar era também o dela.
O problema é que não é hábito os jornalistas associarem-se aos votos do Parlamento. Considerando-os como iniciativas políticas, a maioria opta por sair do hemiciclo ou se está em directo continua a trabalhar, o que é muito mal visto pelos deputados e membros dos gabinetes. Ontem, um deputado socialista, membro da direcção do PS, não resistiu e quando terminou o plenário dirigiu-se à bancada onde ainda se encontravam algumas jornalistas e exclamou ironicamente "então, hoje, levantaram-se...". É sempre bom ver para onde pende a sensibilidade dos outros, para mais quando não são uns outros quaisquer. Como dizia o texto lido pela secretária da mesa da AR, o funeral da Manuela estava a decorrer naquela altura, mas havia quem estivesse mais preocupado em ver se nos levantávamos ou não.

4 comentários:

SM disse...

Esse deputado que raramente fala no hemiciclo, e que eu tinha dúvidas que sequer tivesse língua teve o desplante de à minha frente dizer isso. Disse-lhe na cara que não tinha razão!Toma lá, meu que a democracia não é só tua!

rps disse...

Parece-me que essa atitude dos jornalistas só pode ser explicada por motivos emocionais. Fria e objectivamente foi uma atitude errada.

Os jornalistas não participam nos trabalhos parlamentares - assistem.
Também não podem aplaudir nem patear. Seria isso que eu diria a um deputado que me olhasse de soslaio pelo facto de estar sentado num momento desse tipo.

SM disse...

RPS, garanto-te que fazia o mesmo por ti.E ai de quem me impedisse.O respeito e por vezes a incoerência acima de tudo.

Emídio Fernando disse...

É o problema da maior parte deles: olham demasiado para o umbigo e para suas capelinhas. O problema é nosso - jornalistas - que ampliamos demasiado esses umbigos e essas capelinhas. Quando reduzirmos a importância deles e o mundo continuar a girar, talvez eles se levantem nos votos de pesar, não para pousar para a fotografia, mas por, de facto, lamentarem.