sexta-feira

Os filhos do jornalismo (2)

(resposta à Ana)

Não há nada mais importante na vida do que eles daí a dúvida existencial permanente. O nível de intensidade vai variando mas a culpa está lá sempre. Porque chegamos tarde a casa, porque vamos para fora, porque não tivemos tempo de ir comprar as sapatilhas para a ginástica que começa no dia seguinte. Porque gostamos da profissão que temos.
"As guerras das mães" foi publicado no caderno Actual do Expresso de 9 de Setembro e apresenta os dois lados da barricada: as mulheres que acham que as boas mães ficam em casa, as outras que apoiam as mães trabalhadoras. Uma coisa que a maternidade me ensinou é que não devemos julgar as outras. Dei por mim em certos momentos indignada com comportamentos ao meu lado. Mais tarde, acabei por entendê-los. Só quando se passa por elas, de facto, é que se percebe.
A "culpa auto-infligida" persegue-nos no dia-a-dia. Queremos compensar a família, a casa, pelo tempo que passamos a trabalhar, às vezes penosamente, normalmente com gosto. Mas não são só as jornalistas que chegam tarde a casa. E as bancárias, as caixas do turno da noite do Continente, as médicas ? Durante anos as mulheres lutaram pela entrada no mercado de trabalho mas a casa continua a chamá-las. Há também pais angustiados mas esses socialmente têm direito a não se sentirem culpados. Isto só é ultrapassado quando "a culpa" não é cultivada na família...mas a educação não nos larga e lá nos estamos a auto-censurar.
Insisto: "Mãe, gosto muito de ti" é a melhor coisa que se pode ouvir. O coração fica apertado quando :" Mãe, tenho saudades tuas, quando é que chegas ?". Só com uma almofada familiar e uma ginástica diária se consegue conciliar filhos e trabalho (não só no jornalismo).
Os filhos, insisto, são A prioridade. Mas o trabalho também faz parte da nossa vida. E, apesar dos problemas e dos defeitos da profissão, fazer uma coisa de que se gosta, hoje em dia, é bom. Foi o que aprendi com a minha mãe. Espero que os meus filhos o entendam.

4 comentários:

Franco disse...

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Anónimo disse...

Duvidosas ruminações
de modas e outras coisinhas onde o "chique"
anda muito perto dum real chiqueiro de falsas culpabilidades.
Ornamento de "bobos" tresanda!
Senhoras "jor-na-lis-tas" decência!
O proletariado esta à vossa espera, mas
entretanto não merecem essa titulo nobiliário.
Purgatório já!!!!!!

AB

bobos= "burgueses-boémios"

Paula disse...

Concordo com a Susana. Só se consegue ser boa mãe se nós próprias formos felizes no que fazemos. Tive filhos numa altura onde trabalhar 24 horas seguidas algumas vezes era normal. O carinho, o fazer-mos compreender aos nossos filhos que a nossa profissão é importante, o eles compreenderem,o estarmos com eles com muita qualidade é muito importante. Não estou arrependida e tenho uma filha porreira que já trabalhando às vezes ainda me diz que não a afectou o meu trabalho. Porque não é só o tempo que os faz sentir feliz

Ana disse...

querida susana,
eles serão sempre a prioridade... mas também concordo contigo quando dizes que é positivo uma mãe fazer aquilo que gosta. Uma mãe feliz e realizada profissionalmente pode ser uma boa mãe. Acho que é esse caminho que estou a começar a aprender!
Hoje também dou por mim a fazer algumas coisas que criticava nas outras mães... a experiência é, de facto, uma escola enorme... A maternidade ensinou-me muito, mas ainda tenho que aprender muitas outras!
Bjs