domingo

Respostas precisam-se

Tem uns olhos cinzentos lindos. Uma força que já fez mover muitas montanhas e oitenta e oito anos. Agora surgem muitos problemas e os sustos acontecem todos os dias porque a idade está lá e o relógio não pára. A família é grande e sempre nos vamos revesando para estar sempre alguém presente. Mas a vida continua e o dia a dia chama por nós, por mais que nos apeteça estar sempre ao seu lado porque temos medo que possa ser a última vez que olhamos para aqueles olhos e lhe damos a mão.
Mas as respostas em termos de serviços de apoio à 3ª idade deixam muito a desejar e temos medo de nos afastar.
Por agora as famílias ainda são grandes. Mas daqui a algum tempo quando as cidades estiverem cheias de gente mais velha e a precisar de cuidados como é que as coisas vão funcionar?. Ou como é que as coisas não vão funcionar? É urgente pensar em respostas porque as cidades não estão preparadas para enfrentar os problemas provocados pelo aumento da longevidade.Alguém tem sugestões?

8 comentários:

lr disse...

sugiro que te desligues do futuro e te concentres no privilégio de amar esses olhos cinzentos.
as mulheres do Minho têm grandes e duras histórias de vida e poder retribuir afecto é o melhor.
foste muito corajosa com o testemunho.
(as cidades serão o que nós fizermos e parece-me que fazemos muito pouco.)Bjo

efvilha disse...

Olá!
É uma alegria encontrar, assim, hábeis tecelãs das palavras. Rizomáticas, vossas mentes buscam novos humus (saberes) para, sobre eles, tecerem vossos fios de comunicação.
É bom ver que vocês percebem, nas pequenas diferenças e repetições de cada dia, uma nova meada com a qual tricotar palavras sábias.
Percebo, em vosso blog, um Atelier de idéias.
Felicidades!
Um cordial e virtual abraço, a cada uma de vocês, e aos vossos amigos daí, de além do oceano.
http://sonetosesonatas.blogspot.com
Evaristo

Eva Shanti disse...

Entre outros projectos, já se vão fazendo alguns coisas com interesse em Portugal.

Cada vez acredito mais em movimentos de cidadãos em detrimento de partidos políticos, na força da Sociedade Civíl, enfurecendo-me a demissão do Estado das suas obrigações sociais.

Deixo alguns links, algumas pistas...

http://porviseu.blogs.sapo.pt/arquivo/2006_02.html

http://www.srpm.pt/index.php?page=1

Digo também que neste momento tenho o privilégio de fazer parte de um projecto que está parado por falta de financiamento e excesso de burocracia. Mas enquanto à vida há esperança e há gente com força de vontade que se preocupa...

Bjs

Inês Meneses disse...

Julgo (mas posso enganar-me, corrijam-me!) que era o Prof. Sedas Nunes que dizia que em Portugal sempre coexistiram um Estado-previdência fraco com uma sociedade-providência forte. Ou trocado por miúdos, o sistema estatal presume que as pessoas têm família que complemente os pouquíssimos apoios oficiais, as famílias (ao contrário das empresas, por exemplo, digo eu)esperam pouco do Estado e preparam-se para serem elas a ter que tratar dos seus (crianças, velhos, doentes, desempregados, etc). Nada de novo, portanto. Mas a Madalena tem razão: num contexto em que os filhos são dependentes cada vez mais tempo, os velhos e doentes vivem mais e os desempregados aumentam, qualquer dia a casa vem a baixo...

Inês Meneses disse...

Julgo (mas posso enganar-me, corrijam-me!) que era o Prof. Sedas Nunes que dizia que em Portugal sempre coexistiram um Estado-previdência fraco com uma sociedade-providência forte. Ou trocado por miúdos, o sistema estatal presume que as pessoas têm família que complemente os pouquíssimos apoios oficiais, as famílias (ao contrário das empresas, por exemplo, digo eu)esperam pouco do Estado e preparam-se para ser elas a ter que tratar dos seus (crianças, velhos, doentes, desempregados, etc). Nada de novo, portanto. Mas a Madalena tem razão: num contexto em que os filhos são dependentes cada vez mais tempo, os velhos e doentes vivem mais e os desempregados aumentam, qualquer dia a casa vem a baixo...

Marisa disse...

Eu acredito que os velhos de amanhã vivam melhor que os de hoje. Dantes as pessoas jovens imaginava-se, com gosto, a ficar velhos e jogar às cartas no jardim ou a ver TV na vizinha. Hoje imaginam-se a fazer a vida activa de sempre. Ou simplesmente não se imaginam velhos.

A proactividade pode facilitar-nos a vida na velhice e "safar" o Esatdo de algumas dores de cabeça.

Que aproveite essa energia para tratar dos que não terão a vitalidade de que aqui falo.

E por acaso até acho que estou a ser irrealista demais, mas foi o que pensei e escrevi "em directo".

Marisa disse...

Há tempos a minha sogra dinamizou umas horas de lazer num lar privado. Pôs a malta a contar histórias. Havia dois velhotes que gostavam por amor da mesma velhota.

Na história, um dos homens dizía que era uma árvore. O rival vai e diz " e eu sou um pássaro que caga em cima da árvore". Isso desencadeou uma cena de pancadaria e, como as senhoras do lar, não estão para aturar gente cheia de vida (com amor e ódio para partilhar, acabaram-se as animações).

Mesmo os lares premium são aceleradores de morte. Porque ninguém tem paciência para aceitar a vida e outros como eles são, muito menos quando não são do seu sangue.

Inês Meneses disse...

A história é brilhantíssima, Marisa, e é como diz: os velhos vivem mais tempo, mas pede-se-lhes que sejam zombies inexistentes. Assustadora a facilidade com que isto é aceite por toda a gente.