quinta-feira

Afinal qual é o problema dos professores?

Não que eu adore a ministra da Educação porque não adoro, mas a propósito desta revolta generalizada dos professores só queria dizer o seguinte:
Irrita-me que os professores não gostem de mudanças, de nenhum estilo. Estão-se sempre a queixar e por este andar ainda batem as manifestações dos estudantes. Enquanto ouvia a ministra a falar na televisão veio-me à cabeça os meus tempos de estudante, antes de entrar na Universidade. Estudei em escolas públicas, em várias, por isso sei do que estou falar. O problema começa logo pelo facto de a maioria deles não gostar de leccionar. Podem estar naquela escola há dez anos, conhecer toda a gente, mas não prestam, não têm vocação para ensinar, para cativar os alunos para as disciplinas que leccionam ou tão simplesmente para conquistar a atenção deles para o que quer que seja. Lembro-me de alguns professores que tive. Aqueles que guardei na memória foram precisamente os que se preocupoaram comigo, aqueles que eu sentia que se interessavam pelos meus resultados e que acreditavam que era capaz de fazer melhor. Mas docentes destes há poucos. E é por isso que é preciso melhorar as escolas públicas. Naquelas onde já existem todas as condições e infra-estruturas elementares ao seu bom funcionamento é preciso identificar o que está a correr mal. O sistema de avaliação de professores é uma fantachoda, tal como existe. É a mesma coisa que não haver nada. Todos os anos os professores são classificados com uma nota simpática porque são amigos, porque sempre foi assim. Não há distinção entre bons e maus professores… são todos iguais. Olhem, se eles começam a fazer o mesmo com os alunos… Lembro-me tão bem de professores que faltavam todas as semanas, dos que estavam de baixa meses seguintes, enfim… que me perdoem os professores com P grande, porque também os há. E a esses o meu elogio: por não desistirem de lutar numa sociedade tão hipócrita. Se fosse professora defendia um sistema de avaliação rigoroso. Podem ter a certeza que faria questão de me submeter à prova.

7 comentários:

Woman Once a Bird disse...

Permita-me que pergunte quais os critérios utilizados na avaliação que lhe permitiu concluir que apesar de existirem professores com P grande, a maior parte não gosta do que faz.
E já agora, se não for pedir muito, gostaria de saber se conseguiu também aferir os motivos para esse "desgostar" da maioria.

Woman Once a Bird disse...

Acredite que a maior parte dos professores não questiona a importância da avaliação. Mas o que está a ser proposto não visa propriamente uma avaliação séria e isenta.

Anónimo disse...

Os professores estão cansados de serem atacados publicamente sem qualquer fundamentação ou argumentação lógicas... Tal como neste texto acontece...
É muito fácil atacar generalizando... as suas opiniões fazem parte de um conjunto de lenga-lengas que constituem o que José Gil aponta esta semana na Visão: a resignação expectante que leva os Portugueses a atribuir as culpas e os defeitos aos outros, ao governo, aos funcionários públicos... mas sem nada fazer para transformar o que nos rodeia...

Há maus professores, claro.
Há profissionais que não o são na verdadeira acepção da palavra.
Há um plano de avaliação feroz, agressivo que vai ser posto em prática.
E que não vai ter os melhores resultados, estipulados estes critérios um tanto ou quanto absurdos...
Mas que, mesmo assim, é positivo, porque vai permitir algum tipo de separação do trigo do joio...

Os professores não temem a avaliação, pelo menos os profissionais dedicados e competentes. Apenas temem os moldes em que essa avaliação está a ser definida, envolvendo os pais e dando-lhes um poder que, de facto, não têm nem podem algum dia ter...

Sara

Ana disse...

Penso que o meu post está claro... Lembrei-me dos meus tempos de estudantes. Portanto, a avaliação cinge-se à minha própria experiência, à minha própria constatação enquanto estudante.
E também a outras histórias que, volta e meia, me chegam aos ouvidos de fonte segura.
De certeza que alguns têm motivos para desgostar... Mas não há profissões nem vidas perfeitas. Todos nós temos, no nosso local de trabalho, coisas de que não gostamos...
Não é por isso que vou deixar de gostar do que faço ou que não o procuro fazer da melhor forma possível. E este meu post ia nesse sentido...
Em relação à avaliação vai ver que, a seu tempo, ainda vai dar que falar... as pessoas não gostam de ser encostadas à parede. Este é um tema paralelo ao debate.

Ana disse...

Sara,
Defendo que os professores temem a avaliação, mas nunca disse que concordo com o facto de a mesma ser feita pelos pais... isso seria, evidentemente, um absurdo.

Inês Meneses disse...

Não que a avaliação dos alunos tenha estado ela própria livre de alterações disparatadas nos últimos (muitos) anos, seguindo o mesmo modelo de critérios de secretaria e conveniência política.

Roberto disse...

Estou Sofrendo na mão de professores ruins, que não gostam de ensinar, criam implicancias com os alunos...
Tenho uma professora de Química EXTREMAMENTE antipática, e um professor de Ed. Física que faz o possível e o impossível para me tratar mal, na frente dos meus colegas.
As meninas da minha sala estavam comentando: "Até hoje não vi esse professor falar Uma vez direito com Roberto; ele é sempre grosso e trata muito mal!".
Chegou ao ponto de me dar 3 no bimestre, só porque moro em outra cidade, viajo todos os dias para estudar nesta escola, e ele não gosta da minha cidade. Faz piadas da minha cidade e coloca alunos contra alunos.

Um absurdo!