domingo

Mulher vs Cultura

"O que é que conta mais, a cultura ou o indivíduo ? A cultura ou a mulher ?" A questão colocada no excerto linkado pela Luísa levou-me a aulas antigas de Antropologia dominadas pelo ataque ao Etnocentrismo. Não me lembro, nessa altura, de polémicas conceptuais sobre o(s) papel(is) da mulher nas diferentes culturas mas retenho a ideia da supremacia de cada identidade cultural. Ninguém devia achar-se culturalmente superior ao(s) outro(s).
E agora, questiono eu, se no outro lado estiver em causa a dignidade humana ? Se a mulher fôr igual a nada ? Devo continuar a aceitar a diversidade cultural ? Acho que não e espero que a conceptualização antropológica do Etnocentrismo tenha mudado um pouco.

4 comentários:

escola de lavores disse...

Concordo e gostaria que essa visão 'idílica' que nos era vendida tenha ganho algum sentido crítico. Uma coisa é tradição - que pode permitir a poligamia, consagrar a discriminação da mulher, etc. - outra coisa é a cultura, que se mede também pela dignidade de cada ser humano. Não vejo confusão possível entre as duas.

madalena disse...

O relativismo cultural acaba onde começam as violações do direitos humanos. Como admiradora da Margarteh Mead defendo que o respeito pela diferença é o valor mais importante. Mas o respeito pelos direitos humanos é a fronteira que não poder ser ultrapassada no caminho da tolerãncia cultural

cardeal patriarca disse...

O Etnocentrismo é já de per si não aceitável à luz dos conceitos actuais de liberdade, dignidade e justiça. Sem a primeira não existem as restantes.

Julgo que o realismo idealista de Raúl Proença entra aqui bem porque, ainda agora é o que melhor define que a realidade é o progresso, a «criação continuada» de novos mundos portadores de sentido, negando a ditadura do Facto e afirmando que o mal não é irremediável.
Realismo idealista que não mata a esperança, sendo que a mais importante não é a dos que esperam mas dos que agem.

Anónimo disse...

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