quinta-feira

Circo de Natal no Parlamento

E assim se chega à primeira página dos jornais...


Reuniões nocturnas

Na semana passada foi um homem que se insurgiu contra as reuniões nocturnas de que o novo líder parlamentar do PS parece ser adepto. O deputado Miguel Laranjeiro foi aplaudido na sala e Francisco Assis deu conta da intenção de voltar a convocar a sua bancada para as manhãs de quinta-feira. Foi o que aconteceu há oito dias. Foi o que não aconteceu esta semana. No final de uma quarta-feira que para muitos começara às 9 da manhã na comissão parlamentar de orçamento e finanças, ficou-se a saber que o gp do PS iria reunir-se à noite. Estaria para cair o carmo e a trindade ? Alguma crise ? Algo de urgente a tratar que não pudesse esperar pelo dia seguinte ? Afinal de contas, a manhã de quinta-feira é reservada pela própria AR para as reuniões dos grupos...Mas o tema - o debate do BE anti-corrupção do plenário desta tarde - não podia esperar algumas horas. E lá ficaram os deputados socialistas e (alguns) jornalistas até de madrugada no Parlamento.
Quando se fala na participação feminina na política fala-se nos horários da política. Assis que tem a experiência do Parlamento Europeu até poderia ter importado novos hábitos. Mas não. O novo líder do grupo parlamentar do PS parece querer ocupar as noites de quem nada tem para fazer em casa. Mas para mudar o rosto da política não chega aprovar uma Lei da Paridade e fazer belos discursos de conciliação com a vida familiar. É necessário sobretudo alterar regras de funcionamento...

terça-feira

A maioria relativa não usa pen ?





Discussão académica sobre um programa que alguns políticos e assessores, poucos jornalistas e raros eleitores se deram ao trabalho de ler.


Teoria lógica: um partido apresenta-se às eleições com um programa. Ganha as eleições. Apresenta à AR as propostas com que ganhou as eleições. Para mim é claro.

A oposição prefere a teoria circunstancial: um partido apresenta-se às eleições com um programa. Ganha as eleições. MAS com maioria relativa. Deve então apresentar na AR um programa revisto com um piscar de olho aos outros partidos.

Não estarão a antecipar a fase da negociação ? É que os programas dos outros partidos foram chumbados pelos eleitores.



(Já agora, o que aconteceu às pens de São Bento para Jorge Lacão entregar um calhamaço a Jaime Gama? Está ainda o governo escaldado com o OE do ano passado ?...)

segunda-feira

António Sérgio

(Foto Blitz)

Do Som da Frente ouvido religiosamente até às 3 da manhã, aos corredores das madrugadas na Comercial. Recentemente apanhei-o na Radar num regresso nocturno a casa. Calou-se a voz mais cavernosa da Rádio que tanta boa musica nos deu.

quarta-feira

Só não consegui foi ficar...

Das frases que ouvi recentemente, esta de Luis Filipe Menezes foi, sem dúvida, a mais fantástica:" Tenho a consciência que se tivesse ficado porventura o PSD hoje estava a formar governo." De um político que já aceitou ser filmado na cadeira do barbeiro, tudo é possível, mas esta saída só vem confirmar que um bocadinho de auto-crítica nunca faz mal a ninguém.

terça-feira

chillout

é hábito dizer-se que o tempo da justiça é diferente do tempo mediático, mas há limites.
esta manhã estive na primeira sessão do julgamento de antónio preto. dizer que foi a primeira sessão já é incorrecto. na verdade, o julgamento não começou porque um dos advogado decidiu apresentar um requerimento para o suspender. tendo em conta que estamos em 2009 e os factos remontam a 2002, já me parece pouco razoável que se suspenda o julgamento.
mas o pior não é isso. o dito advogado levava o dito reqerimento escrito num papelinho mas não o entregou ao juiz. ditou-o, com pontos e vírgulas, a uma funcionária que o escreveu, muito devagarinho, com uma esferográfica bic, apesar de ter à sua frente um computador.
a seguir, outro advogado apresentou outro requerimento e a cena repetiu-se. depois, um dos juízes resolveu pedir para ler um dos documentos do processo e todos ficaram à espera. a leitura suscitou a curiosidade do ministério público que também o quis ler. e leu. com tudo isto passaram mais de duas horas e a sessão foi suspensa. informalmente, segundo disseram, porque quando for a sério vão todos ler de novo, um de cada vez, porque só há um exemplar.
tudo calmo, tudo normal. só eu é que fiquei nervosa com tanta tranquilidade.

segunda-feira

já começou o monólogo

à excepção de manuela ferreira leite, todos os outros líderes dos partidos da oposição faltaram hoje à cerimónia de posse do novo governo.
os ditos líderes argumentam que é da praxe recusarem o convite do protocolo de estado para esta cerimónia.
a mim parece-me que, além de falta de educação, esta ausência revela, simbolicamente, uma grande falta de vontade de diálogo com o novo poder.
numa cerimónia em que tanto se apelou à responsabilização de todos na construção do futuro colectivo, a ausência dos líderes partidários surge com especial significado.

sexta-feira

Até podemos fazer a partir de casa...

Quando Cavaco Silva faz declarações ao país, já só podem estar na sala onde o Presidente da Republica fala, os jornalistas que não vão entrar em directo. Assiste-se assim à situação caricata das entradas e dos rodapés serem produzidos pelos repórteres na entrada do Palácio de Belém onde a Presidência coloca um écran para que se possa ver o que se está a passar lá dentro. A moda pegou e agora até a tomada de posse de segunda-feira terá novas regras. De acordo com o programa para a comunicação social "na Sala dos Embaixadores, palco da cerimónia da Tomada de Posse, onde existem estrados para os operadores de câmara e outros repórteres de imagem e tomadas de áudio para TVs, (...) não serão permitidos “vivos” para TVs ou comentários para Rádios." Estes serão permitidos noutra Sala " onde serão projectadas as imagens e facultado o som da cerimónia."
É a primeira vez que isto acontece. Em 2005, lembro-me de ter relatado a tomada de posse do governo de José Sócrates na sala da cerimónia. É completamente diferente contar o que está a ver ou contar o que se vê pelos olhos dos outros. Então em rádio, há pormenores que podem marcar a diferença. Mas assim é mais limpinho para os actores. "Até é assim que se faz lá fora", dirão alguns. Qualquer dia, então, estaremos a importar o modelo espanhol e até a actividade eleitoral será editada pelos partidos. Não faltará certamente por cá quem já pense nisso...

Novo governo ou governo remodelado ?

José Sócrates confirmou esta quinta-feira que não é homem de surpresas. Jogou pelo seguro e limitou-se a mudar os ministros mais polémicos que, depois das europeias, não podiam ser imediatamente substituídos porque havia ainda eleições à vista.
Sócrates, em vez de formar um novo governo, fez uma remodelação ao que já tinha. Não redesenhou a orgânica nem jogou trunfos. Com cinco mulheres conseguiu comentários masculinos de satisfação (Confesso que tinha deixado de acreditar no nome de Isabel Alçada para a Educação, depois de tão obviamente "anunciado" na pré-campanha eleitoral. Afinal, parece que há segredos com pontas de fora).
Registo ainda que Jorge Lacão conseguiu finalmente chegar a ministro - deve ser a pessoa mais feliz desta remodelação ; e a ida de Alberto Martins para a Justiça (já ouvi "é a prova de que Sócrates não quer fazer nada nesta pasta"...)

quarta-feira

Ontem, hoje ou amanhã

O tempo dos media não é o mesmo de José Sócrates e precisando de alimentar um vazio em suspenso, temos assistido nos últimos dias (como é habitual nestes processos) ao jogo das setas, na esperança de que alguma acerte no alvo.
No início da semana, um jornal dizia que o PM ia a Belém "hoje ou amanhã" apresentar os nomes do governo. Ontem, outro jornal dizia "pode ser já hoje ou demorar mais uns dias, mas o novo Governo de José Sócrates será conhecido ainda esta semana." Felizmente "a canalha da rádio" não tem páginas para encher - apesar de haver pessoas certamente que não dispensariam uma boa bolsa de apostas em qualquer lado. Porque é disso que se trata, nesta altura: uma bolsa de apostas.
Sócrates não forma governos como António Guterres. Nesse tempo, havia fugas por todo o lado. Nomes, medidas, tudo era sujeito a teste antes de validação. Mas, nem oito nem oitenta. Ou o PM se despacha ou, um dia destes, o segredo de São Bento passa a ser entendido como a dificuldade de José Sócrates em formar novo executivo...