sexta-feira

Qual é a diferença?




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[Há meses, a propósito de nada, ia postar isto (juro!), mas passou-me... Hoje o crime do Obama, relembrou-me]

Fichas triplas

A minha estreia ontem na comissão parlamentar de inquérito ao BPN mostrou-me o grau de sofisticação do novo jornalismo. As jornalistas (sim, a grande maioria era mulher) já vão para aquelas longuíssimas reuniões com fichas triplas. À falta de tomadas para todos os computadores, Elas arranjaram uma forma prática para não ficarem sem eles a meio das audições. Aproveito para agradecer publicamente a quem não se importou de partilhar a sua tripla comigo...

O que unirá a Asae à Bragaparques?

Hoje fiquei a saber pelas notícias que o controlo dos parques infantis passa para a Asae. E há dias, por (mais uma) péssima experiência num parque de estacionamento, ao preencher o livro de reclamações, fiquei a saber que também é a Asae a responsável por esses espaços onde os lugares são exíguos demais para uma pessoa obesa sair do veículo, onde as vias de circulação são demasiado estreitas (haverá alguma curva sem marcas de para-choques???), onde os peões caminham sem fim à procura de saídas e máquinas de pagamento raramente sinalizadas... etc., etc..
Esta lei (ver art. 11º) estabelece uma largura mínima de 2,30 metros para os lugares de estacionamento, mesmo sabendo que outra lei permite que os veículos tenham até 2,55 metros de largura. Eu com o meu carro de 1,75 metros e os meus 62 quilos de peso já me vejo à rasca para sair e entrar. Por que é que a Asae arranja tantos problemas na restauração, e se borrifa para estes espaços subterrâneos?
Há dias, estreei-me no parque de Miraflores, da Bragaparques. Tenho andado de muletas (canadianas, para muita gente... não sei porquê), mas consigo conduzir. Tinha uma consulta na clínica logo ali lado. Esperei-esperei pelo o único elevador que encontrei, mas nunca veio. Tive de subir pelas escadas, eu e as muletas, devagar. Cheguei sete minutos atrasada à consulta (privada), e o médico pura e simplesmente foi-se embora, sem um telefonema para o meu telemóvel. Resumindo: reclamação na clínica e reclamação no parque.
O recepcionista, muito simpaticamente, ainda me disse "Teve azar. Escolheu logo o elevador errado. O que dá acesso à rua está a funcionar, os outros dois é que têm estado avariados." Ninguém se deu ao trabalho de pespegar ali um aviso de avaria, nem sinalização para elevadores alternativos. Mas, junto aos lugares de garagem, como lhes interessa rentabilizar cada milímetro, já há uns papéis improvisados, para não se estacionar em mais do que um dos miseráveis espaços delineados.

quinta-feira

arzinho de guterres

Não percebo por que razão sócrates tem que ser mais macio, mais delico-doce, mais simpático. sécrates não é propriamente do estilo meiguinho. não era assim enquanto secretário de estado, enquanto deputado, enquanto ministro. nunca cultivou essa imagem. tem uma forma de estar em público aguerrida, mesmo truculenta. sempre me lembro de ser assim e, em minha opinião, não ganha nada com este açucarar da imagem. não gostei de o ver ontem na sic. irritou-me aquele re-styling. era melhor alterar algumas decisões, avançar com outras que parece ter esquecido, fazer coisas diferentes em vez de fazer as mesmas coisas com um sorrisinho nos lábios e um arzinho de guterres.

Elisa, Ana e Paulo

Depois das candidatas autárquicas ao parlamento europeu, ficámos ontem a conhecer o pré-euro-deputado-ministro.Paulo Rangel, que tanto criticou as candidatas duplas do PS, confessou ontem na sic-n que está disposto a deixar o lugar que nem sequer assumiu para ir para o governo se o PSD ganhar as eleições.

Eu gostei foi do final

Não percebo o coro de surpresa que anda para aí sobre a entrevista de José Sócrates a Ana Lourenço. Mas será que nunca viram o Dia D ? São Bento não dorme muito menos depois de uma derrota eleitoral.

quarta-feira

O derrotado por ausência

Foi para campanha a protestar contra a ausência do Primeiro Ministro no Parlamento. Indignadíssimo, acusou Sócrates de querer fugir aos debates quinzenais, etc, etc. Hoje, quando finalmente tem o PM ali à mão, para um debate cara-a-cara, não aparece ! Segundo o PSD, Paulo Rangel estava em Bruxelas. Prioridades de agenda, claro. Mas depois do volte-face que teve de fazer no financiamento dos partidos vetado pelo PR, a ausência desta tarde é mais uma para um rescaldo vitorioso que não lhe está a sair nada bem.

terça-feira

Quem o viu e quem o vê

Parou junto dos jornalistas. Sugeriu que gravássemos no átrio da sede e não na rua. Respondeu às perguntas. Reconheceu o desgaste do governo, as reformas ásperas, a HUMILDADE com que o PS tem de analisar a derrota eleitoral. Não falou em "Manter o Rumo" e referiu-se à maioria que vai pedir nas legislativas como "a maioria parlamentar que dê ao PS condições para governar".

Quem ouviu Sócrates na noite eleitoral, notou as diferenças. Quem costuma acompanhar as reuniões do PS, tambem. Até porque além das declarações à entrada, que não costuma haver, ontem, tambem houve à saída. Sócrates, mais uma vez, parou e respondeu. Insistiu na "atitude de humildade para reconhecer os erros que eventualmente tenhamos cometido e para os podermos corrigir" e esclareceu que "uma maioria parlamentar é uma maioria absoluta".

Não estávamos habituados a isto.

segunda-feira

Ainda não se demitiu

Vitor Constâncio está a ser torturado em directo. A distância que o separa naquela mesa do deputado Nuno Melo tem evitado o pior. Dura há horas. Constâncio diz que se o BdP fez tantos comunicados sobre o BPN foi em resposta às conferências de imprensa do deputado. Melo sorri quase satisfeito.
Maria de Belém diz agora que há um limite [no Código Penal (?)] para esta tortura. A TVI24 transmite em directo. Constâncio levanta-se e põe as mãos na cintura, casaco aberto, gestos largos. A presidente da Comissão Parlamentar impõe finalmente um intervalo. Cheguei a pensar que chegariam a vias de facto...

PS - os debates mensais ao lado dos trabalhos daquela comissão são como ensaios de artistas amadores.

MUDE

É um dos espaços culturais mais interessantes de Lisboa. Pequeno, modesto, ainda assim é um novo pólo de atracção na baixa lisboeta. Fica a grande distância de um MOMA, mas é o início de um bom museu de design. Actualmente tem uma exposição sobre cartazes políticos... praticamente cem anos de retratos pictóricos de ideologias, líderes e campanhas - mais actual, não há:-)
Vale a pena passar uns minutos a rever os spots telelevisivos 'anti' das últimas presidenciais norte-americanas. Tenho pena que boa parte da iconografia política do PREC não esteja nesta mostra. Até ao fim do mês, as entradas são grátis no MUDE - vai sempre a tempo.