segunda-feira

MUDE

É um dos espaços culturais mais interessantes de Lisboa. Pequeno, modesto, ainda assim é um novo pólo de atracção na baixa lisboeta. Fica a grande distância de um MOMA, mas é o início de um bom museu de design. Actualmente tem uma exposição sobre cartazes políticos... praticamente cem anos de retratos pictóricos de ideologias, líderes e campanhas - mais actual, não há:-)
Vale a pena passar uns minutos a rever os spots telelevisivos 'anti' das últimas presidenciais norte-americanas. Tenho pena que boa parte da iconografia política do PREC não esteja nesta mostra. Até ao fim do mês, as entradas são grátis no MUDE - vai sempre a tempo.

No país real

Se nas urgências do hospital o médico confirma que a criança está doente e precisa de ficar em casa, por que raio não pode logo passar a declaração de assistência à família à mãe ou ao pai que vai ter que ficar com ela ? O médico de família no centro de saude merece mais confiança ? Este, que nem sequer viu o estado da criança ? E que se faltar, obriga-nos a ir de manhãzinha para o centro de saude para apanhar o médico de reforço que nunca nos viu ? Se alguém me conseguir explicar a racionalidade deste processo peregrino, faça favor. É que há burocracias que podem desgastar mais do que a doença...

Teremos uma Colecção Sócrates?


Se o caso deste juíz faz jurisprudência, os novos mil títulos que mensalmente chegam às livrarias vão multiplicar-se.
Já estou a ver os escapartes cheios de livros do autor Sócrates a expôr os seus arrependimentos sobre o caso da licenciatura em engenharia, o caso dos projectos arquitectónicos alheios, o caso dos três anos esquecidos de IRS - talvez por solidariedade entre pares tenha, há dois meses, afinal, decidido perdoar os pobres pensionistas que, por lapso do Estado, estiveram prestes a passar (ainda mais) fome para pagarem uma multa injusta.
Quiçá esta Grande Colecção ainda tenha um calhamaço do caso Freeport, sobre o arrependimento de ser sobrinho de quem não devia. Temos obra!

Lua: boas notícias para os cépticos... ou talvez não!

Encontrei uma enciclopédia online muito interessante que argumenta contra "dados adquiridos." Eu que defendo (e sinto, sem dúvidas nenhumas) os efeitos da lua no corpo e cabeça humanos, vi aqui umas estatísticas em que a enciclopédia céptica pretende provar que o número de condutores "apanhados" bêbados não tem nada que ver com as luas nova e cheia - as que irradiam os tais iões positivos (péssimos para a saúde) de que postei há dias.

Contentes, dizem qualquer coisa como: 'Como vêem, num ciclo de 28 dias, os dias com mais presos são o 12º, o 26º e o 27º. E não os dias zero (lua nova) e 14º (lua cheia)'. Não percebo se são cépticos ou cegos... Não vêem que os picos são precisamente 2-3 dias antes das ditas luas se completarem? Ou serei eu que vejo demais?

sexta-feira

Da suina relatividade da agenda jornalística

Há dias o site da BCC tinha um discreto título sobre a doença de Alzheimer e um grande destaque sobre a febre suina, a primeira pandemia deste século (a maior da história recente terá sido a gripe espanhola de 1918, segundo a Wikipedia).

A gripe suina afecta 30 MIL (29. 669) pessoas em 74 países enquanto, mundialmente, nos 195 países do globo, a doença de Alzheimer afecta "apenas" 27 MILHÕES de "trapos velhos". Já para não falar da pandemia Sida que afecta 25% de toda a população africana e um total de 33,2 milhões de pessoas, com nome, amigos, familiares, pasado, presente... e (algum) futuro.

O grande destaque da gripe suina na BCC era apenas mais um follow up da tragédia. A pequena notícia do Alzheimer era sobre uma descoberta que traz esperança aos milhões de pessoas, entre doentes e familiares e amigos, que vivem no permanente drama do esquecimento. Só em Portugal são 70 mil, mais do dobro de todos os infelizes que padecem da gripe suína.

Por todos estes milhões, e muitos mais*, chateia-me verdadeiramente a agenda jornalística. Entra-se em histeria para uns assuntos e há completa omissão dos mais relevantes. Enjoa-me folhear um jornal ou uma revista e ver todas as colunas de opinião versarem sobre a mesma "ordem do dia" - e a versarem basicamente os mesmos versos -, como se nada mais, para além de um qualquer bate-boca parlamentar, afectasse a vida dos seres humanos.

A agenda do jornalismo é realmente estranha. Tão estranha quanto a força analfabeta das massas, capaz de, nessa vertigem gregária, estupidificar o mais sobredotado dos génios. Ainda estou para entender (entender mesmo à séria) a razão desse fenómeno que Freud também tentou explicar.


* Morrem por ano nas estradas 1,2 milhões de pessoas. E 50 milhões ficam feridas, segundo as estatísticas rodoviárias mundiais. Entre as cerca de 2,5 mil milhões de mulheres do mundo, uma em cada três sofrem de violência doméstica...

É sempre bom saber que estamos preparados para qualquer pandemia

Agora que temos pandemia e já se fala na reorganização do serviços de saude, aproveito para sugerir modificações no protocolo de crise perante suspeita de gripe A. É que infelizmente apanhei há dias um desses momentos de pânico hospitalar e o recado enviado (via utente que estava de saída) para a sala de espera da Estefânia, cheia de crianças doentes, foi este: "estão a mandar toda a gente para a rua". Era uma da manhã. Não estava uma noite amena e calculo que nem todos tinham carro ali à mão para guardar a respectiva criança como eu. A minha estava cheia de febre a aguardar pelo resultado dos exames. Ninguém sabia o que se passava mas um enfermeiro de máscara a montar uma barreira para impedir a passagem dava a entender que andaria qualquer coisa que não devia por ali. Eu só confirmei a suspeita porque no caminho para o carro cruzei-me com duas funcionárias à janela que me explicaram o que se estava a passar. Sorte a minha porque o pai que ficou à porta só conseguiu saber que "ah, isto agora são três horas, para limpar tudo...não vai reabrir tão cedo" O que fazer então ? Voltar para casa sem saber o que se passa com a criança, depois de quatro horas no hospital ? Aguentar no carro e esperar pela reabertura ? Não seria mais simples que o hospital reenviasse as crianças para outro local/ outro hospital mas não para a rua?
No meu caso, e quando já estavamos prestes a deixar a Estefânia, ainda voltei à porta para fazer o ponto de situação. Ainda bem que o fiz. Parecia que nada tinha acontecido. Já estava tudo na sala de espera. Os policias à porta descansados a dizerem que tudo estava normal. Afinal a suspeita não se confirmara. Uau !

terça-feira

Mais uma queixinha para o buraco da Câmara de Lisboa


A Câmara Municipal de Lisboa anda muito asseada, a sacudir a água suja do capote. Faz questão que o povo saiba que os atrasos naquele prédio da Rua da Madalena não são da sua responsabildade, mas da Assembleia Municipal.
Entretanto sacode a quezília para aquela bela lona cuja impressão - feita por amigos, com desconto, ou não - não custa barato, e é paga com o dinheirinho dos otários dos contribuintes. Depois queixam-se que têm um buraco financeiro e o presidente António Costa vai pedir 360 milhões de euros à CGD, e espanta-se que o tribunal de contas lhos negue...
As "guerrinhas" de uns desperdiçam o orçamento de todos, e este é apenas um singelo sinal, ali bem escarrapachado. É por isso que dá mesmo vontade de guardar o dinheiro do IVA no bolso e ceder à vergonhosa pergunta "quer recibo?" Qualquer dia entro "em simplex" e passo a rejeitar também esses papéis que, pelos vistos, só servem mesmo para aumentar as contas em 20%. Ainda há dias podia ter poupado 23 euros, que davam para 4,5 almoços (uma semana) lá na cantina.

Revelação: Coincidências ou omnisciência humana?

No passado fim-de-semana, no I Congresso Internacional de Sincronização com o Planeta Terra, em Lisboa, Carol Adrienne deu vários exemplos de coincidências que a colocaram no seu “caminho”. E disse qualquer coisa como: ‘Não sei como isto acontece, mas acontece.’ Eu cá acho que sei (já vos digo).
Esta ex-funcionária de uma empresa de catering que se tornou parceira de escrita do famoso James Redfield, autor do best-seller A Profecia Celestina, entusiasmou a vasta audiência ao sugerir que, durante 10 minutos, metessemos conversa com alguém e descobrissemos pontos comuns. Eu falei com uma senhora de cabelos vividos que, afinal, também era amiga da pessoa que há uns 10 anos me ofereceu... a Profecia Celestina!

Será coincidência ou eu, inconscientemente, já “conhecia” aquela amiga e por isso me sentei ao seu lado? A minha hipótese é tão especulativa como as que se atiram para a abstenção das europeias (cartão vermelho aos políticos ou êxodo para férias de feriados?). Ainda assim, voto nesta teoria: As coincidências (sincronicidades como lhe chamou Carl Jung) são meras concretizações de algo que, sem nos apercebermos, já sabemos que vai acontecer.

Por exemplo: começo a reparar em várias coisas verdes. Depois vou ver casas para comprar e decido-me pela que é verde, supostamente porque recebi vários sinais que devia ser aquela. Na verdade, penso que já “sabia” que ia para aquela casa, por isso uns tempos antes reparei em tudo o que era daquela cor. Um pouco como quando andamos de muletas e reparamos que, afinal, diariamente, cruzamos-nos com imensa gente na mesma situação :)

Além de promonições, as coincidências podem também ser telepatias. Se eu berrar numa sala “alguém tem um lápis?”. Quem tiver, responde. Quando lançamos SOS mentais ao mundo, quem ouve, chega-se a nós. Talvez isto seja aquilo a que Jung chamou subconsciência colectiva.

E por que acontece mais a uns que a outros? É como na comunicação tradicional, uns são mais dotados que outros. Todavia, todos podemos treinar os nossos dotes oratórios.

Nota: Infelizmente não me certifiquei da teoria com a Carol Adrienne.Vicicitudes da lua cheia, não pude ir ao segundo dia do congresso :)

Dupla censura à classe política?

Depois da elevada percentagem de abstenção nas eleições de domingo, hoje, o Presidente da República vetou a lei de financiamento dos partidos políticos - que todos tinham aprovado numa estranha unanimidade parlamentar.