quarta-feira

Quando é que o sol brilhará para todos nós?

Agrafem-se!
"O agrafamento vai ser o futuro de todos os jornais”, diz José António Saraiva.
Depois dos sacos de plástico, dos brindes, a nova moda é o agrafo. O Sol mostra o caminho. E passa a sair à sexta. Com um bocado de sorte ainda temos a Sábado... a sair ao sábado.

Macacadas


O episódio que a Susana aqui relata é um bom exemplo da situação insustentável a que chegou o parlamento português. Ontem, foi lançado o livro, «o povo semi soberano», um estudo que revela, com dados concretos, aquilo que quase toda a gente sabia ou intuía: ir para o parlamento é encarado pelos políticos como um prémio ganho sabe-se lá porquê e o mandato serva apenas para preparar a etapa seguinte.

As pessoas não se sentem representadas e ainda bem, mal sinal seria que os cidadãos olhassem para o parlamento (e, por arrasto, para outras instituições) e se sentissem representados. O problema é que tanta irresponsabilidade está a abrir caminho a outras soluções, a outras ideias e a outros protagonistas. Está a levar cada vez mais pessoas à abstenção e ao alheamento.

Enquanto isso, os deputados discutem o uso da palavra autista. Já agora, podiam também deliberar sobre o uso da palavra cego, para não ofender os invisuais, ou surdo, para não ofender quem tem deficiências de audição. Pelo menos, enquanto estão distraídos com estes temas, não estão a aprovar leis de financiamento dos partidos e outras coisas do género.

Politicamente...autista

Na sequência do pedido de um deputado, a conferência de líderes recomendou cuidado na linguagem parlamentar evitando o termo "autista" por incomodar quem sofre de autismo. O cuidado é tanto, que no debate de sexta-feira passada, tentando não ferir mais ninguém, o ministro das finanças garantia que não era "politicamente...cego". Mas a certa altura, saiu-lhe mesmo um "ó sr. deputado, o governo não é autista." Houve logo um murmurinho na sala e no final da intervenção Teixeira dos Santos ainda ouviu Manuel Alegre, que presidia aos trabalhos, alertá-lo para os termos que não deviam ser utilizados na discussão parlamentar.

domingo

Baralhar e tornar a dar

O Expresso parece ter descoberto esta semana um projecto que em Fevereiro foi aprovado na generalidade no Parlamento e que propôe no ponto 7 do artº 10 que "no ensino secundário, o gabinete de informação e apoio deve assegurar aos alunos a distribuição gratuita de métodos contraceptivos não sujeitos a prescrição médica, existentes nas unidades de saúde". Tradução: Preservativos vão ser distribuídos no Secundário.
Este projecto do PS foi aprovado dia 19 de Fevereiro com a abstenção do CDS, BE e 5 deputados do PSD (pelo que não deixa de ser engraçada a crítica no semanário de Diogo Feio, líder parlamentar do CDS, à iniciativa socialista...)
Tambem a 19 de Fevereiro foi aprovado um projecto do PCP e chumbado outro do BE sobre educação sexual. Esta semana o processo deve ficar arrumado em comissão na especialidade. Ou andou tudo distraído "na primeira volta" ou estamos perante matéria prima que dura, dura, dura...

quinta-feira

brisa suave

i… podia resumir-se naquilo que é a apreciação comum de muitos jornalistas, editores e directores de jornais: é giro! ou: não, não gosto! mas i é um enorme ponto de exclamação invertido. um diário com páginas ao ritmo de semanário. aparece à quinta-feira: não sei se vamos ter tempo para isso. até porque i tem edições também á sexta, ao sábado i por aí fora.
i não tem orgulho nos seus jornalistas: a ficha técnica só apresenta as cúpulas. e i tem excelentes jornalistas - alguns escrevem nesta primeira edição.
i tem um formato engraçado. é uma vantagem competitiva do i. outra é ter conseguido juntar jornalistas novos e outros mais experientes, de centro e de direita, conhecidos e discretos, seguramente todos a acreditar no produto que os levou a juntar-se ali. i como aventura de fazer um jornal já é uma lufada. i chega?
i tem textos cuja leitura exige fôlego e não tem as muitas histórias ‘marginais’ que todos os dias nos surpreendem.
i bastava uma pequena equipa de scanners, de ‘esponjas’ da informação que flui no éter e na rede, nos sites de outros jornais, das tvs e nos blogs. i ficava mais leve e completo com as pequenas estórias. i precisava de um pouco mais de irreverência - não de fazer manchetes para se auto(ex)citar.
i tem um site pobrezinho, paradinho, modestozinho, e também uma itv - menos mal.
i merecíamos mais?
i(sto) é o primeiro número.

Eu estou é farta desta novela


A susana confessava há dias que já está farta das notícias sobre o bloco central. eu estou mais farta da novela alegre. quando já estava convencida de que o poeta ia deixar, finalmente, o tacho parlamentar, eis que surge de novo a dúvida. Agora, marcaram a resposta final para dia 15. Vai ser mais uma semana de perguntas sobre se já decidiu, o que o levaria a ficar, ou a não ficar, se já falou com sócrates, se almoçou com ele, que condições colocou para não abandonar o parlamento, etc, etc. Tudo isto para, no final, ficar ele e mais aquele grupinho de deputadas com nomes estranhos que fazem número nas votações do contra. Já era tempo de contratarem outro argumentista para esta novela....

i esta?

Será que o cheque que os ministros ofereceram ao sócrates pelo natal pode ser usado aqui?

terça-feira

Ao qu' isto chegou

O ministro da Economia saiu em defesa de Basílio Horta, recomendando ao deputado Paulo Rangel que "tem de comer muita papa de maizena para chegar aos calcanhares" do presidente da AICEP.
Até aprecio metáforas gastronómicas, mas pergunto-me se um ministro do Governo de Portugal, com a estatura de Manuel Pinho, não devia poupar os seus conhecimentos culinários... (a maizena é um amido que não serve exactamete para fazer papas)

Leitura de politólogo

Giovanni Sartori no El País sobre o divórcio de Berlusconi : "Se hará la víctima, él es buenísimo en eso. Dirá que tiene a toda la prensa en contra, que las televisiones le atacan, que todo es un montaje de los comunistas, pondrá en marcha una grandísima escena y la aprovechará para sacar réditos políticos y no sufrir el mínimo daño. Es un genio publicitario, y se mostrará como un tipo abandonado."Y concluye, entre ironías: "Lo que es seguro es que procurará presentarse como víctima, jamás como responsable. La culpa será de los comunistas. Quizá incluso EL PAÍS sea declarado culpable. Estén atentos".