terça-feira

A arrogância do poder

Chama-se arrogância do poder e parece ter contaminado os membros deste e de quase todos os governos.Este é apenas mais um episódio. Pontualmente nós jornalistas somos vítimas de tratamentos menos educados. Acho bem que a Dina tenha vindo a público denunciar este comportamento.É urgente um debate e reflexão sérios sobre o exercício do poder em Portugal. Seja ele político, económico ou nas empresas...

segunda-feira

Resposta a Miguel Abrantes

A versão do jornalista nuno saraiva em nada contraria o que disse e mantenho. A cadeira a que ele se refere foi trazida pelo empregado para que eu me pudesse sentar, uma vez que eu me tinha levantado para o ministro se poder sentar, ficando por isso sem lugar. A cadeira extra obrigou, aliás, a pessoa que estava sentada à minha esquerda a deslocar-se para que esta coubesse. O ministro nunca me pediu que me levantasse. Mandou (ele ou alguém por ele) o empregado dizer que o senhor ministro se queria sentar ali. A si, Miguel Abrantes, gostaria no entanto de lhe dizer o seguinte: este episódio absolutamente caricato é politicamente muito revelador. É revelador da importância relativa das coisas para este governo, ou para alguns dos seus membros já que não me agradam as generalizações. Os jornalistas conhecem a dificuldade que geralmente têm em falar com os membros do governo sobre assuntos relacionados com a governação. Todos esperámos já dias e dias, quantas vezes em vão, por respostas que nunca vieram sobre temas directamente relacionados com a actuação dos governantes e relativamente às quais eles têm o dever de prestar contas. Ora, é espantosa a rapidez com que o ministro (ou alguém por ele, não sei nem me interessa) reagiu a um pequeno post num humilde blog. É também espantosa, a forma dessa reacção, prova do mal-estar e do clima de crispação de quem reage parece estar a ver o chão fugir-lhe debaixo dos pés. É, finalmente, assombroso o número de anónimos que dependem do ps e do governo. A quantidade de gente que surgiu a querer fazer prova de vida perante "quem manda" é impressionante. Seria óptimo que o fizessem de outras formas, embora, pelo que hoje li, talvez o melhor seja ficarem sossegados. Como sabe, não acompanho o seu blog há muito tempo mas é óbvio que é apoiante do governo e do ps. Tenho lido os seus posts, a forma como responde e contraria, com argumentos, aqueles de quem discorda. Por vezes pode ser um pouco agressivo, mas nunca o vi recorrer à ofensa fácil e à ordinarice. É por essa razão que estou a responder-lhe, mesmo que não concorde comigo, mesmo que ponha em causa o que digo, para mim merece uma resposta. os outros não.

Ministro blogger

Sublinhe-se a celeridade com que o ministro da admnistração interna reagiu ao post da Dina.
Já tinha notado a atenção que elementos do governo dedicam à blogosfera mas nunca tinha visto um ministro a reagir por aqui.
Registo que um incidente numa visita ao estrangeiro merece de Rui Pereira aquilo que outros bloggers não conseguiram. Por exemplo, sexta-feira passada, quando muitos comentaram os numeros que escaparam do relatório da segurança interna de 2008.
Escala de prioridades, naturalmente.

Resposta ao ministro da administração interna

Pelo vistos enganei-me em relação ao ministro da administração interna. Afinal, ainda é mais incorrecto do que eu supunha, e a ideia com que fiquei sobre ele, após a visita a cabo verde, já não era nada boa. E o problema é que, além de mal educado deve estar a precisar de mudar de óculos. Só assim se justifica o que diz. Eu levantei-me, a pedido do empregado, para o senhor se sentar e fi-lo para não criar incidentes desagradáveis. O primeiro-ministro estava ao meu lado e em momento algum chamou o ministro. A "prova categórica" que o ministro invoca para me chamar mentirosa pode ser, no meu caso, multiplicada por 3 ou quatro, jornalistas e não só, que assistiram à cena com a mesma estupefacção que eu. Quanto ao reconhecimento, eu, infelizmente, reconheço o ministro. Preferia, sinceramente, não ser obrigada a reconhecê-lo. Em relação ao alegado preconceito, não tinha preconceito nenhum em relação a ele, porque nunca tinha sequer estado na mesma sala que ele. Reconheço, no entanto, que tenho preconceitos relativamente a pessoas reconhecidamente mal-educadas, arrogantes, que se consideram superiores e que não respeitam os outros.

domingo

Um chá para Rui Pereira


Terminada a visita oficial a cabo verde, e para ocupar o tempo até à hora do regresso, a comitiva de josé sócrates e os jornalistas que acompanhavam a visita juntaram-se num restaurante da cidade da praia. Na mesa do primeiro-ministro, ficou a ministra da defesa de cabo verde e todos os jornalistas portugueses. Quem parece que não se conformou com a distribuição dos lugares foi o ministro da administração interna. Ainda o café não tinha chegado à mesa, já rui pereira mandava um empregado do restaurante dizer a uma jornalista que se levantasse para ele se poder sentar junto de sócrates. Assim, sem mais. E antes que houvesse tempo para reagir, lá estava o ministro de pé, coladinho à cadeira da jornalista, para que ela se levantasse e ele se pudesse sentar. Sem um olhar, uma palavra, uma desculpa, uma razão por muito esfarrapada. Até ao fim do jantar, lá ficou sentado, colado, provavelmente com medo de ser remodelado depois dos resultados vergonhosos que apresentou no combate ao crime. Eu sei que é difícil acreditar numa falta de educação de tal calibre. Mas foi exactamente assim que se passou. Eu sei. Eu estava lá. Fui eu que tive que me levantar para o ministro se sentar.

O dia do senhor




Pedro Almodovar - uma visão fascinante do universo feminino, hilariante e colorido, fraterno e trágico.
Na próxima semana, estreia em Espanha o novo filme de Almodovar "Los abrazos rotos"

sábado

Podemos distorcer a realidade até à caricatura

A tese segundo a qual quem critica os lucros, condena a especulação e sorri ante os a bancarrota dos capitalistas é demoníaco (marxista), como se faz por aí, é confrangedora de tão básica.

Não consta que a actual crise tenha raízes na atitude de "braços caídos" de quem trabalha - nem há notícia de que os assalariados tenham todos imigrado para paraísos de lazer, abandonando a produção.

Se tivesse tempo, desenvolvia a argumentação: a crise deve-se à esperteza saloia de uns quantos chico-espertos que estavam - estão? - à frente de algumas empresas (sobretudo instituições financeiras)...
Acontece que tenho de continuar a trabalhar - para garantir o meu salário, sim, e produzir margem de... lucro.

sexta-feira

Os patrões dos Media (I)

Nunca trabalhei para Pinto Balsemão, nem para Joaquim Oliveira. A visão que tenho destes dois patrões da comunicação social é, pois, de observadora.
Balsemão anunciou que os gestores do seu grupo vão ganhar menos 10% durante um ano - não sei se como castigo pelo desempenho, se como profilaxia para enfrentar a crise. Posso achar pouco, porque o corte não lhes deve fazer mossa, mas já é qualquer coisa.
Em compensação, Joaquim Oliveira despede dezenas de trabalhadores e consegue manter-se dono do pequeno império de comunicação social à custa da renegociação da dívida que contraiu para a compra das empresas: durante os próximos anos vai apenas pagar os juros.
Com o 'método' Oliveira, eu ou você também podíamos ser 'patrões' da comunicação social...

quinta-feira

Obrigada, camarada

Dizem que morreu o João Mesquita, que foi presidente do Sindicato dos Jornalistas quando ele fazia a diferença e valia a pena. Dizem que morreu um antigo camarada de ofício - somos quase a mesma geração - e eu acho isso realmente muito estranho. Prefiro pensar que continuamos desencontrados por aí...

Este homem é um cardeal

Quando ouvi, esta manhã, a oração de Paulo Portas sobre a maioria absoluta de Sócrates, pensei que ainda estava a dormir... e que o efeito sonoro do desnível à 'coro grego' era uma ilusão auditiva.
A peça está ainda na tsf on-line. Vale a pena ouvir o próprio Portas de viva voz. Serve para os marketeers, assessores políticos e demais artífices do showbiz da política aprenderem qualquer coisa sobre os modernos sermões.
Pode até não dar votos, mas tem um grande efeito de estilo...