Jardim Gonçalves quis retirar a OPA ao BPI quando viu os primeiros sinais de insucesso, mas o seu delfim, Teixeira Pinto, quis que a operação fosse até ao fim e morresse no mercado. E assim foi. Agora, na AG de anteontem, o mestre quis blindar os estatutos do BCP, em nova colisão com o sucessor. Quando olhou para os presentes na sala e viu que lhe vetariam o tal ponto 8, retirou-o da discussão.
Independentemente da relevância empresarial do caso e dos méritos e desméritos dos protagonistas, estes episódios de Jardim Gonçalves - que para muita gente denunciam sede de poder pessoal, desorientação e pejorativa desistência - fizeram-me pensar mais uma vez na nobreza inerente ao acto de desistir.
Desistir, quando já se lutou, é um acto inteligente de quem não pretende desperdiçar mais energia. Devíamos elogiar a desistência, mas não. Por mera inércia intlectual, ninguém se lembra de polir esse acto que fomos enublando ao longo dos tempos. E por isso é preciso termos cada vez mais coragem para praticarmos um feito tão lúcido como desistir.