sábado

Comer e chorar por mais


Lucca é nome de uma região italiana da Toscana e é, de certeza por isso, nome de dois óptimos restaurantes em Lisboa. Um fica na Rua de Santa Marta. O outro, na Travessa Henrique Cardoso, uma transversal da Avenida de Roma. São ambos óptimos, mas aqui vou falar do de Alvalade. Serve sobretudo pizzas de massa finíssima, deliciosas. O maior problema é mesmo arranjar mesa. É sempre preciso marcar. Aos fins de semana convém fazê-lo com alguma antecedência. Se não arranjar lugar e quiser mesmo, mesmo a pizza, pode sempre levar para casa. O Lucca está preparado para isso.

sexta-feira

Árvores


Quase toda a gente gosta de flores. Eu também. Embora goste mais de árvores*. Paro a olhar para uma árvore. Encanto-me com um simples pinheiro manso. Adoro os embondeiros, aquelas árvores que O Principezinho arrancava todas as manhãs para que não destruíssem o seu pequeno planeta. Só vi embondeiros uma vez na vida. Em Angola. Ia de autocarro, atrás da comitiva de Cavaco Silva, então primeiro-ministro. De repente, no meio do pó e da miséria, lá estavam eles. Enormes, majestosos, lindos. Fiquei sem fala e sem rolo na máquina.
Há alguns anos, no Brasil, estive de férias numa pequena vila, já rendida quanto baste ao turismo, que tinha uma lei curiosa: proibido cortar árvores. As casas, os restaurantes, as lojas rodeavam os troncos, encolhiam-se debaixo das copas, desviavam-se por força dos ramos. São leis como esta que marcam a diferença entre a civilização e a barbárie.
*Sou cliente habitual das Farpas. Não é que precisem de publicidade, mas aqui fica a referência para quem ainda não se cruzou com elas.

quinta-feira

O país dos últimos dias



Tenho uma pergunta

Nem o Dr. House conseguiu ontem bater Jose Luis Zapatero em Tengo una pregunta para usted, señor presidente. A TVE, importando o formato francês, dispensou os jornalistas e entregou as perguntas a cem cidadãos "representantivos da sociedade". Em Abril, o convidado é Mariano Rajoy, líder do PP. José Sócrates e Marques Mendes aceitariam o desafio ?

Sugestão

Venham todos ao lançamento do mais mediático livro português!

Contra a iliteracia emocional e espiritual!


O lançamento do meu querido livro UM MINUTO DE SILÊNCIO que vai mudar o mundo e que é escrito por 60 personalidades, desde o António Damásio, ao Figo ou à Lili Caneças, é já na próxima 2ª feira, 19h, na Mãe D'água das Amoreiras.

Todos os detalhes sobre o evento (incluíndo croqui) e sobre o projecto estão aqui!

AS RECEITAS RECERETEM PARA A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SURDOS.

quarta-feira

C.

Costumamos juntar-nos nas férias. Apenas nas férias. Sempre ao jantar. Na esplanada junto à praia. Dentro da praia. Durante algumas noites por ano a mesa está posta contando connosco e com ela. No último Verão não foi. No que se aproxima não sei se irá. Actualmente, é este um dos seus maiores prazeres. Gosta de nos ver por lá. Eu vou. Gostava que fossem também.

Sequelas

Depois da eleição de Salazar, isto.

segunda-feira

Tristeza




Cerca de 75 mil portugueses escolherem Salazar como o melhor português de sempre no programa da RTP. E eu a pensar que com a vitória do Sim no referendo o país tinha mudado…

Uma onda que os leve a todos

Pela enésima vez, o mar destruiu o paredão que serve de protecção ao Clube de Campismo de Lisboa, na Costa de Caparica. Perante a fúria do mar, os campistas revoltam-se contra o governo, exigem a demissão do presidente do INAG e querem mesmo ser indemnizados pelos prejuízos. A única coisa que os campistas esquecem é que já deviam ter deixado aquele local há anos. É perigoso e inadequado. Está num local absolutamente impróprio para qualquer tipo de construção. Argumentos mais que suficientes para ter tirado dali, há muito, o dito parque de campismo. Além disso, estes problemas de erosão da costa não são de hoje. Há pelo menos dois meses que se repetem semana sim semana não. Mas os campistas lá ficam, de pedra e cal (literalmente) à espera que o mar leve as coisas e o governo pague um subsídio chorudo por perdas e danos. Os jornalistas lá vão, todas as preia-mar, dar conta do avanço das águas e dos protestos indignados dos campistas. E nós, os contribuintes, continuamos a pagar obras, pedra, areia, máquinas para salvar as barracas que há muito deveriam ter saído dali.