sábado

Tanto nos separa



Enquanto nós ainda andamos a discutir as quotas e a entrada feminina nas listas partidárias, as espanholas questionam a ausência das mulheres no primeiro lugar das candidaturas. Num artigo da edição de hoje da revista do El Mundo (a responsável é a Luisa, sim, comprei e rendi-me. Não há cá nada assim), questiona-se, a partir das eleições na Catalunha, a ausência das mulheres no topo da corrida. O PP pôs uma independente no 2º lugar, os outros lembram-se delas a partir do 3º."Es fruto del todavía escaso peso de la militancia femenina, o es que aún hay sillones inaccesibles para ellas?", questiona a revista. A socióloga Margarita Rivière afirma que "el público está preparado para una mujer presidenciable, es la clase política la que no lo está."

Quando é que este debate chegará a Portugal ?

Recomendo vivamente o artigo e fixo outra declaração. A de Montserrat Nebrera, a independente que o PP apresenta no 2º lugar, sobre a diferença entre homens e mulheres : "Para nosotras, es más importante gestionar bien que aparentar que mandas. Parece que esté en la mentalidad de una mujer trazar el camino y dejar la aparencia a otros." Nem mais !

É preciso ter lata

A JSD Lisboa lançou uma campanha com o slogan:
"Geração Recibo Verde… Não Obrigado!"

Ora... é preciso ter lata porque há mais de vinte anos que os recibos verdes se "instituiram"; por acaso também comecei a trabalhar com eles, sem outra alternativa durante uns quantos anos - o primeiro-ministro era Cavaco Silva e o governo era do PSD...

Help!

O meu "grupo excursionista" inclui alguns politicos, sobretudo da Europa Central. Quando falamos da politica portuguesa, eles insistem em perguntar qual a diferenca entre o PS e o PSD. Tenho tentado explicar, mas nao tem sido facil. Aceito contributos. Obrigada.

sexta-feira

O tempo vai passando e...

No encerramento da campanha para a reeleição de José Sócrates, ontem, no Pavilhão Atlântico (sem manifestações por perto), Jorge Coelho elogiou o primeiro-ministo por, entre outras coisas, não se esquecer do partido. Coelho sublinhou as viagens que o secretário-geral do PS fez pelo país para apresentar a sua moção, iniciativa inédita de um candidato sem opositores que acumula a chefia do governo. António Guterres não estava lá, não ouviu...

Uma observadora atenta

Certeira, Ana Sá Lopes, hoje, no DN : "Como qualquer observador atento já reparou, o Governo em funções é um Governo de coligação entre José Sócrates e António Costa, que partilham alguns ímpetos autoritários, a cumplicidade geracional, o horror aos "históricos" e uma noção apurada do socialismo pragmático."

Ao vivo e a preto e branco

E inevitavel. A qualquer hora do dia ou da noite ha sempre um canal de televisao que transmite, live ou on tape, um julgamento. Os americanos adoram julgamentos. Diz-se por aqui que a culpa e da CNN, a primeira a transmitir em directo um julgamento, o do caso O. J. Simpson. Nao me parece. Otto Preminger e outros grandes realizadores fizeram filmes extraordinarios sobre julgamentos. A culpa - digo eu - e do sistema de justica americano. Assisti, em Pittsburgh, a uma sessao do julgamento de um caso de violacao. O advogado de defesa confrontava a vitima - uma mexicana meia idade - com contradicoes nos depoimentos. A mulher tremia. O advogado, implacavel, prosseguia com detalhes que deixo a vossa imaginacao. A acusacao esbracejava protestando enquanto o juiz, reclinado, ia dando razao ora a um ora a outro. A esquerda, os jurados - todos brancos - seguiam a historia com ar divertido. A direita, os familiares do reu - todos pretos - vocifravam contra a vitima. O juiz mandava-os calar e o espectaculo continuava. Estou ansiosa para ver o proximo episodio.

quinta-feira

Igreja agnostica

Os Estados Unidos sao provavelmente o pais mais religioso do mundo. Menos de cinco minutos depois de comecarmos a falar com alguem ficamos logo a saber a que igreja pertence. Um destes dias, visitei uma comunidade islamica. Inevitavelmente, o 11 de Setembro monopolizou a conversa. O ima fez o que pode para nos convencer de que nao existe, neste momento, na America, qualquer preconceito relativamente aos muculmanos. "Alias, desde o 11 de Setembro o nosso dialogo e com as outras igrejas intensificou-se". Igor, um croata, questionou-o, entao, sobre as relacoes com outros sectores da sociedade. "Qual e a sua igreja?" - perguntou o ima. "Sou agnostico". "Com os agnosticos nao temos grande proximidade" - confessou o ima - "nao tem igreja".

Mania das grandezas

Ha muitas coisas estranhas nesta America que nunca conhecemos enquanto turistas. Ate agora, a mais estranha de todas, para mim, e a forma como os americanos aparentemente aceitam a fraude eleitoral. Em duas semanas, ja conheci umas boas dezenas de americanos e nenhum, nem um para amostra, votou Bush. Mas ha mais. Excepcao feita a uma professora universitaria que tem um irmao que antigamente apoiava o presidente (agora tambem ja nao apoia) ainda nao conheci ninguem que tenha um parente, um amigo, um colega de trabalho ou mesmo um vizinho que esteja ao lado do pobre W. Ora, o homem e presidente. Aparentemente foi eleito. Por quem? E verdade que em Portugal ja tivemos um fenomeno parecido, no final da era cavaquista, da primeira encarnacao, mas aqui e demais. Estes americanos tem mesmo a mania das grandezas.
PS: parece que fui alvo de uns comentarios jocosos sobre a falta de acentos destes posts. Coisa feia a inveja!!!!

Terríveis e desastrosas contradições

A propósito das trapalhadas recentes do governo, retenho a crónica de hoje de Paquete de Oliveira no JN e uma ideia: "A transparência é uma exigência da democracia. Mas essa transparência não acaba nas leis que a prometem. Comprova-se, sobretudo, nos actos. A transparência é condição para o funcionamento de uma democracia mediática. Não se trata de esconder os factos. É preciso é explicá-los de outra maneira. Convincentemente. Sem espalhar a desconfiança que cai sobre tudo e todos."

quarta-feira

Até onde deve ir a cumplicidade entre jornalistas e políticos?

O tema não podia ser mais importante para o futuro do país: o orçamento de estado para a Ciência e Ensino Superior do próximo ano. A sessão parlamentar da Educação começou às seis e já la iam três horas de pingue-pongue entre Mariano Gago e os deputados. Não sei quem me causou mais perplexidade se os deputados que queriam dar a conversa por terminada porque estavam na hora do Jantar, se o ministro da Ciência que só respondeu às perguntas que lhe interessavam, deixando muitas respostas por dar... quer aos deputados ... quer aos jornalistas (apesar de uma cumplicidade/disponibilidade total aparente que tenta fazer passar juntos dos jornalistas que reconheço tem um efeito desarmante).
Afinal ninguém tem que prestar contas de nada?
Mas a verdadeira pergunta é: até onde deve ir a cumplicidade entre jornalistas e políticos?

PS: Ou será, como alguém disse, que todos os jornalistas não passam de políticos frustrados e os políticos não passam de jornalistas frustrados.