Para os engenheiros da área de metrologia do
Instituto Português de Qualidade o mau funcionamento dos alcoolímetros não é notícia mas uma evidência. Ontem, na rádio, um explicava que todos os aparelhos de medição (como taxímetros, radares de velocidade, alcoolímetros), por natureza, não são totalmente fiáveis daí a Organização Internacional de Metrologia Legal recomendar uma taxa de tolerância para a leitura dos resultados. No teste do balão, para o valor 0,50 deve ser considerada uma margem variável entre 0,43-0,57, precisamente o valor-limite que está a ser tido em conta pelas polícias, a pedido da Direcção-Geral de Viação.
Se eu soubesse isto não teria escrito este
post depois de ler o JN de ontem. Para mim a explicação técnica é clara e justifica tambem que, por ex, quando um condutor vai a 127 km/h num limite de 120 não seja multado, dado essa margem de erro prevista.
Não acredito que o MAI não tenha recebido essa explicação técnica antes de lançar para as redacções, logo às 11 da manhã, uma reacção inflamada em comunicado urgente, a seguir ao qual todos deixaram de falar em
on: Director-Geral de Viação (prestou antes declarações à TSF), porta-voz da GNR (falou antes à Lusa).
No dia da operação "Passaporte", o Ministério de António Costa acabou por arranjar um facto político, que, logo pela manhã, podia ter ficado pela explicação técnica que, ao fim da tarde, deixou satisfeito o MAI conforme se lê no seu
segundo comunicado urgente.