quarta-feira

(Educação) entre a irritação e a razão

1)A ministra da Educação irrita uma boa parte dos professores. Percebo que estejam zangados com ela, por alguma falta de diplomacia, por alguma crueldade ao dizer o que pensa, porque quer mexer com alguns 'direitos adquiridos'...
[Na nossa profissão raramente se sabe o que são horários de trabalho; ter flexibilidade e obter resultados são o nosso dia-a-dia. Não temos férias na Páscoa, nem no Natal, nem pontes, e muitas vezes nem fins de semana - e não se ganha mais por isso].
Ser professor é das profissões mais nobres. Um professor marca-nos para sempre. Mas o centro da actividade da educação são os alunos, não os profs. O ensino visa servir estudantes, não docentes. [Sim, tal como o jornalismo é suposto servir o público e não os jornalistas.]

2)Não me lembro de nenhum ministro da Educação que não tenha sido contestado pelos profs., desde Veiga Simão, que obviamente não foi criticado porque não era possível. Nos últimos anos, por sistema, qualquer mudança é pretexto para greves, manifs, protestos dos sindicatos de professores. É verdade que, muitas vezes sem fundamento, mudam-se os programas, os calendários e os métodos, porque cada ministro assume o papel do treinador de futebol: chega com a sua equipa e com a sua verdade, e entende que tem de virar tudo do avesso.(As aulas de substituição, o inglês nos primeiros anos do básico, etc., podem ter deficiências mas foram opções muito positivas.)
Acontece que algumas das organizações sindicais reagem pura e simplesmente de forma corporativa. Até o facto de involuntariamente os pais de hoje 'delegarem' na escola uma grande parte da educação dos filhos é objecto de crítica.
Há muitos anos,naturalmente com outro tipo de sociedade e com outro perfil de pais, isso não acontecia. Mas estes são os tempos que vivemos. Todos sabem que os pais se esmifram para dar atenção aos filhos e garantir o mínimo de qualidade de vida. É natural que desejem que os filhos sejam bem acompanhados e quem melhor do que os professores para o fazer? Onde estarão os jovens mais seguros e apoiados do que na escola?Isto não significa que concorde que os encarregados de educação avaliem os profs. Mas admito que os alunos, sim, de alguma forma, possam dar um contributo para avaliar os professores. E estes poderão avaliar-se mutuamente, num esquema equitativo e com regras claras e concorrenciais segundo critérios de competência.

3)Não faz sentido uma ou outra frase mais infeliz ou desadequada da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, mas não faz sentido nenhum a contestação sistemática motivada por (organizações de) classe.Como em todo o lado, há bons e maus profissionais no ensino. Há escolas com melhores e piores condições de trabalho. Há professores incrivelmente bons e há professores perfeitos 'manga de alpaca'. Mas são as crianças e os adolescentes que justificam o que se gasta na Educação. Dos agentes principais, dos professores, espera-se que exijam mais recursos para a Educação, melhores condições de trabalho sério e que se proponham rendibiliza-los, estabelecendo objectivos. Depois, apurem os resultados, vejam o que falhou e emendem. E continuem a trabalhar com gosto. Todos agradecemos.

(o que não consegui dizer a M. , esperando que não se zangue)

terça-feira

Promessa

Prometo nunca mais me queixar do meu trabalho.

Seria hoje

No (putativo) Dia Nacional do Cão lembro que, para sexta-feira, está agendada na Assembleia da República o debate de uma petição que solicita a instituição do dia 18 de Fevereiro como Dia Nacional do Yoga.

(Não estou a brincar. A confirmação pode ser feita aqui)

É sempre a mesma coisa

Não há ministro que resista...Ainda estamos a 6 de Junho e a polémica de Verão já começou. Mas este saiu de umas trapalhadas muito recentes com o envio da GNR para Timor.
Onde anda António Costa, hábil estratega, verdadeiro "animal político" ?
Aqui diz-se que a boa imprensa tem ajudado o ministro de Estado e da administração interna. Valha-nos os blogs...

Nada melhor que uma boa notícia

... como a que refere resultados positivos na experimentação de uma vacina contra o cancro do útero, em mulheres com mais de 25 anos... O laboratório vai solicitar a autorização de comercialização da Cervarix.

Che, Fidel e Timor

Há dias lia uma repoprtagem sobre as "turras" em Timor e ocorria-me um episódio que um dia vivi em Cuba. Estava com quatro ou cinco amigos num barco, no meio de um rio, com um jovem guia turístico. Queriamos falar livremente sobre o país. Puxámos por ele.

O máximo que conseguimos foi isto: Ele olhou em seu redor, por força do hábito, e sussurrou "Talvez se Che não tivesse morrido, ele fosse outro Fidel".

Acredito em heróis. Mas é dificil que mantenham esse estatuto quando recebem um tipo de poder a que não estão habituados.

segunda-feira

Fadas do Lar



Parabéns para Ele.
Se quiserem fazer um óptimo bolo de chocolate é só: barra de chocolate+leite+manteiga a derreter; seis gemas+seis colheres de açucar+ preparado do chocolate+seis claras batidas em castelo. Antes de ir ao forno tira-se uma chávena com a mousse que, depois de cozido o bolo, deita-se por cima. É magnífico.
Há muito tempo que não tínhamos aqui uma receita e num blog feminino tal não pode acontecer...qualquer dia ainda pensam que fumamos !

Anestesia social

José Gil na crónica da última Visão aponta a "resignação expectante" no estado de espírito actual dos portugueses:"Passivo à superfície, mas atento e crítico no fundo". Epá, (por momentos) enfiei a carapuça...

domingo

Respostas precisam-se

Tem uns olhos cinzentos lindos. Uma força que já fez mover muitas montanhas e oitenta e oito anos. Agora surgem muitos problemas e os sustos acontecem todos os dias porque a idade está lá e o relógio não pára. A família é grande e sempre nos vamos revesando para estar sempre alguém presente. Mas a vida continua e o dia a dia chama por nós, por mais que nos apeteça estar sempre ao seu lado porque temos medo que possa ser a última vez que olhamos para aqueles olhos e lhe damos a mão.
Mas as respostas em termos de serviços de apoio à 3ª idade deixam muito a desejar e temos medo de nos afastar.
Por agora as famílias ainda são grandes. Mas daqui a algum tempo quando as cidades estiverem cheias de gente mais velha e a precisar de cuidados como é que as coisas vão funcionar?. Ou como é que as coisas não vão funcionar? É urgente pensar em respostas porque as cidades não estão preparadas para enfrentar os problemas provocados pelo aumento da longevidade.Alguém tem sugestões?

Protestos sim, mas sem animais

Ontem estive em Lisboa e acabei por assistir a um pouco da manifestaçãoo dos agricultores na Avendida da Liberdade. Acho que eles têm todas as razões e mais algumas para protestar. Só não gosto que levem os animais para os protestos. Fico revoltada. Lá estavam vacas, bois, burros... com calor e num ambiente que não lhes pertence. Pobres bichos. Lá iam eles puxados pelos campinos que, volta e meia, não tinham problemas em fazer uso da vara para acelerar a marcha. Fico indignada. Os homens são mesmo estúpidos, como disse Jane Goodall a semana passada numa conferência em Portugal. Nâo podia concordar mais.