quinta-feira

Experimentar ouvir

... o CD de estreia de Sophie Solomon. A escutar aqui.
Música diferente... que se impregna nos ouvidos.
A rapariga parece que tem origens judaicas, do leste da Europa.
O título do disco, "Poison Sweet Madeira", é sugestivo, não é?

[post dedicado à M., aparentemente 'desaparecida' em amontoado de afazeres, o que me leva a questionar se não deveriamos ter suplentes neste blog...?]

quarta-feira

Voz do Museu: para ouvir mas pouquinho

A ParaRede é uma grande empresa e, como tal, cada vez que faz a mais pequenina coisa ‘apoia-se’ imediatamente nos media. Desta vez, lançou – em conjunto com a Telelink SMS Portugal – um serviço que se chama Voz do Museu e que já está a ser testado no Museu de Arte Antiga, em Lisboa. A ideia é facilitar a vida ao turista. Ao visitar o museu poderá obter informações sobre o que está a ver através do telemóvel. Para isso, basta apenas introduzir a referência da pintura em causa, por exemplo, e ouvir a descrição. O custo da chamada é de 60 cêntimos e a descrição não chega a um minuto. Pergunto-me quem é que vai estar a gastar dinheiro desta forma? Não é melhor o belo do guia em folhinhas de papel? A tecnologia nem sempre é sinónimo de melhoria. Não só não acho prático – porque se estivermos a falar de uma sala com 10 peças temos de ligar 10 vezes – como acho caro. Depois existe ainda um conjunto de particularidades que fazem deste serviço uma anedota. Uma delas é o facto de só estar disponível em português. Portanto, os turistas estrangeiros – que são quem mais visita os museus – não podem sequer utilizá-lo. A ParaRede repete-se quando diz que esta é uma experiência-piloto. Uma experiência-piloto que começa mal, digo eu.

Portugal terminal

Portugal faz-me lembrar aqueles problemáticos casos de saúde em que o paciente com cancro não pode receber tratamento porque qualquer solução esbarra numa outra sua debilidade. O Governo quer "salvar" o sistema de segurança social pondo toda a gente a trabalhar até morrer. Os patrões recusam qualquer medida que envelheça a mão de obra tornando-a menos produtiva.

É por estas e por outras que 85% dos portugueses não estão nem aí para o que se passa neste país que, de alegrete, tem cada vez menos. E só não emigram porque estão ligados à família. Está bonito isto...

Privem-nos do privado

Uma cidadã teve de ir fazer um exame médico a um hospital privado.
Presumo que o médico da utente terá avaliado que o caso não justificava a espera de meses num hospital público, e também não seria suficientemente urgente para entrar de ambulância. Assim sendo, fez-se uso dos sistemas complementares de saúde e recorre-se a um hospital privado. O exame era, digámos, pouco simpático. Foi marcado para umas nove da manhã - hora apropriada para o longo jejum que implicava. De véspera, a utente é informada de que a Dra. não daria aquela consulta. O exame é remarcado para duas semanas mais tarde, pelas 14h30. A utente, trabalhadora por conta de outrem e contribuinte, lá estava, antes da hora marcada. Passam os minutos.
Uma hora depois chega a Dra. ao estabelecimento de saúde.
Uma hora e cinco após a hora marcada começa o exame.
Nem uma justificação pelo atraso, nem um pedido de desculpas, nada!

PS - Ah! O dito hospital é certificado por uma ISO qualquer e tem uma Política de Qualidade devidamente encaixilhada na recepção. Os recepcionistas são simpáticos e devidamente fardados. O grupo empresarial - sim, trata-se de uma empresa, não do Estado - faz nascer hospitais como cogumelos e tem obviamente confortáveis lucros.
Como se explica isto?

"Ó palhaços, nós já sabíamos que vocês cá vinham !"

Segundo o Diário de Notícias, foi assim que uma mulher recebeu os 600 polícias que ontem, no Bairro da Torre, prenderam 10 pessoas e apreenderam 19 armas. Um balanço e pêras, heim !

Algo muda?

LOUVORES DEIXAM DE CONTAR PARA
PROGRESSÃO NA CARREIRA DIPLOMÁTICA


(título da pág.16, Jornal de Negócios, 3 de Maio)

... ainda bem! porque, no resto, já não contavam para nada.

Ver o sol aos quadradinhos

José António Saraiva, o director do novo semanário SOL, revelava ontem na RTP que o seu jornal vai ter uma secção exclusivamente dedicada a entrevistas a presos. Segundo Saraiva, trata-se de uma ideia completamente original para um jornal como nunca se viu.

Recordo, a propósito, o ponto 9 do Código Deontológico dos Jornalistas. "O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas".

Excusado será dizer que uma pessoa que está presa não se encontra nas condições acima descritas, logo não se encontra em condições de ser entrevistado. Fica a reflexão para o solarengo director.

Da grandeza e pequenez...

...não das bolas, mas do resto...
Acredito que há países com um código genético imperial. Não será o nosso caso, mas o dos nossos vizinhos espanhóis, ou da Alemanha. Isso vê-se na arquitectura das construções, da imponência dos monumentos, até possivelmente na frontalidade/descaramento do povo... Não prometem que fazem, fazem. Não ameaçam agir, agem. Em vez de relógios ansiosos em contagem decrescente - para uma Expo, ou para um Europeu de Futebol, ou até para um inclassificável Rock in Rio Lisboa por mundo... etc e tal - certos países trabalham como habitualmente e, a um mês de receberem o único acontecimento desportivo que rivaliza com os Jogos Olímpicos, só pequenos sinais de marketing reportam o evento.


A Alemanha já tinha, em Frankfurt, o maior aeroporto da Europa; vai ter agora, em Berlim, a maior estação de caminhos de ferro. São várias linhas de comboios de todo o tipo, 'cruzando-se' num apeadeiro de dimensão continental, em largura e em altura.
Para que nada disso falhe, e como o orçamento da construção estava a ser ultrapassado, o projecto inicial foi reduzido - repare-se que não se tratou de esticar o orçamento...; os alemães, culturalemente adeptos do rigor, justificam a fama que têm com os horários 'à tabela' mas também com as contas, pois é do erário público que se trata. Ainda assim, o défice da cidade de Berlim é monumental.

Mas o que é isso se, a cada dia, a cidade se torna mais habitável, mais plural, mais apetecível... Há algum preço para os povos serem felizes?

terça-feira

Comemoremos o regresso

Pombos fogem de Leão

Criativos de uma agência de publicidade estiveram três dias na Avenida da Liberdade a olhar para pombos. Eu explico: os ‘meninos’ estavam a dar em doidos porque os pombos lisboetas não iam comer sementes e milho em cima dos mupis – que publicitavam o anúncio criado pelos próprios para concorrer ao Festival de Cannes. Os mupis eram grandes pacotes de comida para pássaro da marca Friskies. E primeiro que algum pombo caísse em tentação foi uma dificuldade. A estranheza daquele mupi/pacote fez o efeito contrário. Não é que os pombos não iam lá comer? E os dias a passar e a hipótese de filmar a desaparecer... enfim, nem queiram saber a trabalheira que deu. No meio de dificuldades e de decisões algo idiotas lá conseguiram. Pensei para mim: voos demasiados altos para quem sonha ganhar um Leão.