domingo

Cutchi-cutchi...

Surpreendidas ? Claro que não. Cavaco Silva saiu de Belém, falou e não disse nada. Ou melhor, justificou a escolha da Estefânia: o neto esteve aí internado e o avô quis agradecer ao hospital.
Problemas na saude, maternidades, confusões na justiça ? Isso está fora da cooperação estratégica e o Presidente não fala. Os relatos radiofónicos desta visita fizeram-me recuar três meses, à campanha eleitoral : Gestão do silêncio, imagem farta, um neto como cereja.
O que ficou desta visita ? Para mim, só isto :"Ah, este era o quarto do meu neto. Naquela cadeira sentava-me eu, ou a avó, ou a minha filha, ou o meu genro..." Onde irá a seguir o Presidente da Republica ? O melhor é ver o que andaram os netos a fazer...

(quanto à presença do ministro da saude, a questão era se ele não tivesse ido pois até nas presidências abertas mais polémicas de Soares, o governo era convidado...)

Há que dizê-lo com toda a frontalidade




Samantha: The country runs better with a good looking man in the White House. I mean, look what happened with Nixon; no one wanted to fuck him, so he fucked everyone.

"O sexo e a cidade" - provavelmente a melhor série de sempre

Até parece anedota

Por vezes, uma boa história basta para fazer o retrato de uma realidade bem mais vasta. É o caso desta contada na Rádio Renascença por Maria José Morgado.
Passou-se recentemente com ela, no Tribunal da Boa Hora. Um homem pediu-lhe para ser recebido porque tinha dados para lhe revelar. Tratava-se de uma lista de todas as penas cumpridas por alguém condenado por crimes diversos e em tribunais diferentes. A magistrada tentava há algum tempo, e sem êxito, reunir esses mesmos dados para poder avaliar se o detido estava em condições de gozar de liberdade condicional mas a falta de ligação entre os diversos palcos da Justiça não estava a facilitar-lhe a vida.

Satisfeita, agradeceu a ajuda e quis conhecer a identidade do portador dos dados. "É familiar do detido?" - perguntou. "Não, não. Eu sou o preso. Pedi uma precária para vir tratar disto senão nunca mais".

Só para chatear

Uma das coisas que sempre me enfureceu é a mania que os políticos têm políticos de visitar hospitais. Em tempo de campanha é pior, claro, mas mesmo fora desses períodos de caça ao voto, volta não volta, lá vem um que se lembra de convocar a comunicação social e rumar ao hospital.

Já integrei várias vezes esses tristes grupos e de todas as vezes, sem excepção, me insurgi contra a iniciativa. Ninguém tem o direito de entrar de rompante por um hospital com uma quantidade de gente, câmaras e microfones atrás, interrompendo o trabalho de médicos e enfermeiros e expondo aos olhares públicos quem tem todo o direito à privacidade.

Quem assim é surpreendido ou está doente ou acompanha alguém doente. Espera tratamento muitas vezes há horas. Já tem motivos de sobra para estar neura e, ainda por cima, leva com um político sorridente, a querer cumprimentar toda a gente, a tentar mostrar que se preocupa com o povo e só está ali para o bem do povo.

Cavaco Silva escolheu precisamente uma visita ao Hospital Dona Estefânia como destino da sua primeira saída como Presidente da República. Foi lá porque - segundo explicou - teve um familiar ali internado, e quis manifestar o seu agradecimento e o seu estímulo. Não podia ter enviado um bilhetinho?

Diga-se que Cavaco não foi ao hospital anunciar nada, comentar nada, fazer nada de útil para ninguém. Foi lá mostrar que está vivo. Num hospital ou num estádio de futebol o efeito era o mesmo, e se tivesse ido à bola pelo menos não estaria a incomodar pessoas fragilizadas.

Dizem-me que isto não é campanha, que o homem já está eleito. Pior ainda. Se não foi lá caçar votos então, foi mesmo só para chatear.

Concurso: Quantos anos tem esta embalagem?










O desgaste causado pelo tempo e má qualidade da fotografia impede que se veja, mas eu digo-vos o que ali está gravado: 09.11.88 (consumir de preferência antes de).

O conteúdo desta embalagem foi consumido há 18 anos!! Mas ela continua aqui, mar a dentro/mar a fora.

Encontrei-a ontem na praia da Parede. Se não a trouxesse comigo provalvemente andaria por aí por mais 430 anos, pois o plástico demora 450 anos a decompôr-se.

Erros na chique Lapa



Eis mais uma pérola do país Europeu com maior taxa de analfabetismo (9% da população) e o que, entre os da OCDE, tem mais abandono escolar (só 20% dos portugueses chegam ao ensino secundário).

[Legenda - À esquerda: versão errada; à Direita: versão correcta]

Um milhão de rostos


Por e-mail recebi um alerta que partilho:

"Decorre uma campanha conjunta da Amnistia Internacional e organizações como a Control Arms, Oxfam, IANSA (International Action Network on Small Arms) e Stop Violence Against Women (SVAW), para que seja feita pressão sobre os governos e outras instituições internacionais no sentido de aumentar a segurança em relação à ameaça da violência armada. Violência esta que é maioritariamente exercida sobre mulheres e crianças, em contextos de luta armada e de violência doméstica.
A campanha denomina-se “Um milhão de rostos” e é a maior petição visual alguma vez realizada! Basta que vá ao site
http://www.controlarms.org e exponha uma foto ou auto-retrato seu.
O resultado desta campanha será entregue dentro em breve, na Conferência das Nações Unidas, em Junho deste ano. O objectivo é mostrar que os governos devem trabalhar em conjunto com a sociedade civil, no sentido de se responsabilizar e resolver o problema da proliferação incontrolada de armas, criando-se para esse efeito um Tratado para o Controle do Comércio de Armas
."


Em Portugal, a campanha é divulgada pela Amnistia Internacional (*) que, esta tarde (9 de Abril), a partir das 16horas desenvolve uma acção junto ao Pavilhão Atlântico na Parque Expo.
Ir ou não ao site da campanha 'Um milhão de rostos' e dar a cara por ela é algo que, cada um de nós, é livre de fazer; mas esta é, seguramente, uma boa causa - é tempo de deixarmos de nos preocupar apenas com o nosso 'quintal'...

(*)As armas matam, em média, mais de meio milhão de homens, mulheres e crianças todos os anos. Muitos outros milhares são mutilados, torturados ou forçados a fugir de suas casas. A proliferação descontrolada de armas fomenta violações dos direitos humanos, aumenta a escalada dos conflitos e intensifica a pobreza.

O marketing político visto pelo Expresso

Nicolau Santos e Fernando Madrinha explicaram-nos a mensagem subliminar do footing de Sócrates na baía de Luanda.
Para Madrinha, ele foi "uma metáfora dessa nova tranquilidade existente no país desde o fim da guerra civil. Por isso, corresponde não a um gesto de simples folclore político, mas a um acto simbólico da mais pura diplomacia." (Ah...)
Para Nicolau Santos, o PM passou assim a mensagem de "que se pode passear nas ruas sem se ser inevitavelmente assaltado. Que não há tiros em cada esquina. E que, por isso, esta é a altura de se poder apostar de novo em Angola." (Ah...percebi. Apesar de ter lido, durante a semana, num diário, que a corrida acabou com batedores, mas isso não interessa...)
Do vôo com 1/3 do PIB do director-adjunto do Expresso ficámos tambem a saber que entre os 78 empresários que foram com o PM só havia uma mulher (bonita, por sinal), que o grupo dos 77 era muito macho, "mais gordo do que devia porque come e bebe bem, veste caro mas sem elegância (...) adora discutir futebol (...) além de guardar dentro de si aquela pulsão nacional que faz de cada português um transgressor de leis que está-se mesmo a ver não são para cumprir". Pois, porque se percebe então que, no espaço fechado que é um avião no ar, fumou-se. Cá em baixo, andava um ministro do mesmo governo a tentar justificar a sua proposta anti-fumo. Como é que Sócrates vai agora convencer o povo da bondade da iniciativa ? E os empresários, nas suas empresas ?

Viválibardade!

Um assessor do Presidente da República para uns assuntos (não me lembro quais, também não interessa) regressou à blogosfera, depois de um decente período de nojo . Um outro assessor (o da agricultura, este lembro-me) escreve no Expresso a explicar que afinal o dinheiro do Europa não foi para os seus mil amigos, até porque nem tem mil amigos. Viva a liberdade de expressão!

sábado

Bora a Marbella


Na cidade de Marbella, um dos locais de eleição para férias do jet set espanhol, havia uma senhora presidente da Câmara (que não se chama Fátima Felgueiras) e que durante anos sacou (terá sacado, como é jornalisticamente correcto dizer-se) dinheiro à custa de negociatas imobiliárias, autorizações manhosas para construir e outro tipo de esquemas que nós por cá tão bem conhecemos.
E o que é que lhe aconteceu? Ficou rica? Sim, mas não só. Foi investigada e metida na prisão juntamente com assessores, conselheiros, parceiros, sócios, ou lá o que são. Assim. Sem mais. Podíamos talvez organizar excursões para ir a Marbella (nem é longe, dá para ir de carro) ver como devem ser tratadas as senhoras e senhores presidentes e tal, e tal, que se metem em negociatas imobiliárias e essas coisas que nós por cá tão bem conhecemos.
Sugiro mesmo que a primeira excursão parta do Algarve... é a região do país que fica mais perto.